quarta-feira, 29 de junho de 2011

O FRIO

 Olha só o jeito do frio
Maroto fazendo ar sombrio,
Em sua cor acinzentada em matizes,
Conversa, provoca, instiga e ameaça
Além de rir da gente a tiritar em calafrio.
Olha só a cara do frio
Faz soprar aquele vento do sul
O tal de Minuano que canta
Por todos os cantos o seu mantra,
A fazer sentir nos ouvidos, pele, ossos e pensamento
O encanto e a dor do seu acalento.
Olha só nosso inverno e seu frio,
Com garoa fina e contínua
E o zunir do vento a estremecer janelas.
Enseja lareira e aroma de eucalipto
Saborosa janta, talvez em baixelas
Acompanhada de bom e encorpado vinho tinto.
E nos labirintos dos meus devaneios
Pede almofadões e braços fortes
 Corpos cúmplices e sintonia de almas,
Num mesclado de juventude que resta
Com esperança que nunca abandona
Percorrendo caminhos que o tempo faz
Sulcando a pele na suave flacidez
De quem quer viver e brincar em paz
Também com o frio.

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