sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Surpresas da vida surpreendente



Véspera de Natal. Cheguei a Capão da Canoa antes da maioria dos veranistas, pessoas que vindas de todo o estado deverão lotar as praias do litoral gaúcho a partir deste final de semana. Ontem o dia foi de muitas chuvas, porém hoje amanheceu ensolarado e com gostosa brisa na beira do mar.

Logo após o desjejum matinal fui a uma caminhada na areia, ainda encharcada e quase despovoada. Com passo firme, mas sem pressa, fui para a direção do centro da cidade, namorando o mar e curtindo o refrescante ar marinho. Algumas poucas famílias brincavam com bolas ou na água, e vi criança fazer castelo na areia; tudo em plena harmonia com a ordem natural das coisas.

Chegando a altura do centro dei a volta e caminhei passando da minha saída. Já havia ficado na praia além do tempo proposto. Mas, a paisagem estava mais do que convidativa e, por isso, me estendi no percurso. Quando decidi retornar ao “apertamento” da família, ainda parei em uma guarita de salva-vidas, pois queria sondar sobre a possibilidade de suporte a uma possível aventura que pretendo fazer - a nado. É, estou sempre sonhando!

Assim, tranquilamente satisfeita, deixei a beira do mar por uma trilha em meio ao resíduo de antigas dunas.  Sobre um dos morrinhos de areia avistei uma ave de médio porte, provavelmente um quero-quero. Embevecida com a magia do cenário, prossegui a passos pequenos para melhor admirar a natureza contagiante.

O pássaro gritou e se pôs a voar. Lindo! O quero-quero, em voo rápido, veio na minha direção.  Belo! Chegou tão perto, tão perto em um voo rasante, que quase me atropelou. Opa, o que foi isso? Foi uma ameaça?

Em seguida, uma segunda ave, graúda e pouco amistosa como a anterior, que eu não tinha avistado e estava sobre outro montinho de areia, veio gritando e rápida na minha direção. Assustadora! A terceira veio pela frente, sei lá de onde surgiu, e se atirou agressivamente sobre mim, gritando forte e intensamente. Apavorante!!!

Atordoada com a mudança repentina do espetáculo da natureza, reagi instintivamente sacudindo os braços com a canga nas mãos. Soltei um berro e cai estatelada sobre o chão de areia mais seca, coberto por gramíneas espinhosas. Tão ligeira quanto pude - sem bicadas, mas bem fincada pelas pequenas rosetas secas - levantei e saí correndo de volta à praia. Inesperadamente, vejam só, eu fui atacada por três quero-queros endoidecidos e, absolutamente, nada românticos.

Já afastada da hostilidade imprevista, e ainda com medo, percebi que estava sendo observada por um homem. Constrangida, e sem saber o tamanho do meu fiasco, fui à direção dele fazendo comentários dispersos e desconexos. O indivíduo também não se fazia compreensivo e, de forma confusa, dizia para eu pegar um pau e atacar os pássaros.  

Naquele momento nada fazia sentido: ali não havia pau, só areia; eu não queria atacar os quero-queros, só queria admirá-los; estas aves não são perigosas, nem eu tão pouco.

O ocorrido foi intenso e breve, perigoso e óbvio. Os pássaros protegiam um ou dois ninhos e sentiram-se ameaçados com a minha presença. O homem pretendia usar o mesmo caminho e também se assustou assistindo o ataque sobre mim.

O desfecho do episódio foi o seguinte: saí da praia por outro caminho; os pássaros foram deixados em paz; eu fiz um novo amigo-conhecido; e mais uma vez, acolhi com admiração a grandeza da natureza. E, depois do susto, sempre ficou uma nova história para contar.

Enfim, como não suspirar pela vida? Ela é surpreendentemente maravilhosa e emocionante, mesmo diante das pequenas aventuras inesperadas de um dia após o outro!

Clicada por Rosa Helena
                                    

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