sábado, 1 de fevereiro de 2014

Preciso conversar com o chefe

Será que meu chefe pensa que eu só penso se ele ajudar o meu pensamento, emprestando a mim um ou outro dos seus próprios neurônios?
Como será que devo explicar a ele que meus neurônios trabalhadores são bem produtivos porque muito cooperativos entre si, apesar de poucos para executarem as tarefas de trabalho? Sim, são poucos os trabalhadores porque a maioria dos meus neurônios adora e está sempre a viajar por fantasias e imaginação sem fim, quando não estão puramente jogados de papo para o ar curtindo a mágica sensação da inércia. Mesmo com essa folga toda, verdade seja dita, meus pensamentos rendem com o perfeito entrosamento das poucas duplas de neurônios, agindo sempre em equipe inter e multidisciplinar. Submeter-se ao comando de outros neurônios que nem sabem trabalhar direito em grupo?
Chefe veja só, eu consigo, e bem sozinho, encontrar soluções para problemas, agir preventivamente diante de complicações futuras, descobrir e abrir novas perspectivas, inclusive, definindo metas e tomando decisões. E melhor que tudo, acertadamente. Sei, mas falhar é humano, e, convenhamos, falhei tão pouco nas minhas atribuições intelectuais que, por vezes, me sinto quase um extraterrestre.
Pode parecer presunção da minha parte, mas faça uma retrospectiva comigo, apesar das eventuais derrapadas, nunca tivemos prejuízos quando meus neurônios agiram sem os seus, e eu decidi com atitudes plenamente razoáveis. Então, chefinho, façamos acordo. O senhor manda e eu cumpro as suas ordens, mas como um ser pensante que sou - não me subestime. Meu filho já me disse, por isso sei de convicção, de bobo eu só tenho a cara e o jeito de andar. Mais nada.

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