domingo, 9 de março de 2014

Adeus


Diante da despedida final, engolindo as lágrimas rolando garganta adentro, a memória chora pelos sorrisos não trocados, pelas conversas silenciadas antes da hora, pelos encontros que não aconteceram. A saudade ao não compartilhado avulta-se sobre as lembranças vividas. Por quê? Por que escapei à presença nesta história que hoje se cumpriu com a tua partida? Por que, mesmo, não me permiti desfrutar mais da tua companhia, oferecendo-me mais como companhia, em alguns dos infinitos momentos dos nossos dias?

Sei que o bem querer justificava manter e estreitar os laços, então, o que determinou à quase extinção do vínculo? Não foi premeditado, mas um dia me rebelei ao instituído e segui por caminhos adversos. Eu mudei e me distanciei. Meu olhar estava posto longe, em outros horizontes, e eu não soube preservar as conquistas daquele presente. E eu fui, e me deixaram ir, embora.


Passaram-se os meses, e havia mágoa no teu silêncio. Passaram-se os anos, e no recato dos teus gestos concedeste, a mim, o teu perdão. Passaram-se muitos e muitos anos, e numa das provocações da vida me abraçaste com a quentura do teu afeto. Nem tudo se perdera, porém o tornado da vida já girava de tal forma que não consegui liberar-me e ir ao encontro da tua meiga doçura.

 
Hoje ao me despedir de ti - entre sombras e verdes, sob um sol luminoso e suave, refrescada por uma fina garoa de verão – guardei com carinho tua melhor imagem: o bonito sorriso de finos lábios a irradiar alegria ao claro olhar por detrás das lentes; um quê de criança transbordante trazido no teu corpo de adulto ao longo dos anos. A tua candura ficará no meu ser como um presente desta nossa longa e breve convivência. Sentirei saudades de tudo o que não vivemos. Adeus!

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