Dobrei uma esquina e fui ao leste seguindo o
vento até a estiagem. Depois, virei outra esquina à esquerda e segui em frente
até a chuva molhar meus olhos e emoções. Subi a ladeira a deixar pendurada a
língua, e dobrei algumas vezes a linha do horizonte. Foi assim que me perdi no
labirinto das horas, dos meses e dos muitos anos.
Por isso, alcanço o momento atrasada e
esbaforida, com o rosto sulcado e amarrotado, o corpo algo modificado e fora do
próprio eixo. Mesmo assim, chego com o coração tamborilando de contente por te encontrar.
Aqui, exatamente aonde, aqui, eu cheguei.
Ah, como te procurei para te contar do
presente que a vida nos quer dar. Olha só, ela enviou uma carta doce de
chocolate e iluminada de mel dourado, nos oferecendo momentos mais que deliciosos
em roscas românticas de braços e pernas, e de muitas emoções no surfar de mãos
pelas ondas dos nossos corpos, úmidos.
Sim, é verdade, ela disse que a gente sabe
sonhar, e que nossos sonhos sabem pedir, e que nossos pedidos... Por que não? Foram
tão sinceros. Naturalmente que sim, poderão ser atendidos. Depende da coragem
que nos faz seguir e virar mais uma e todas as esquinas do tempo. E acreditar.
Ah, como te procurei. Agora em ti nem sei de
mim. O calor sobe e desce e faz suar. O coração dispara pela boca convocando a tua
boca; e o meu corpo treme de prazer ao roçar com o teu. E o desejo descontrolado
de provar o teu gosto grisalho, de mergulhar no teu sabor de história vivida,
de nos lambuzar nas doçuras que a vida nos prometeu, ah, mal posso esperar. Como
estou feliz por me deixar desvendar pelos teus sentidos - e te descobrir pelos
meus - nesta esquina do tempo, meio fora de tempo, mas que ainda se faz em tempo,
para a gente se amar.
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