terça-feira, 10 de junho de 2014

Esquinas



Dobrei uma esquina e fui ao leste seguindo o vento até a estiagem. Depois, virei outra esquina à esquerda e segui em frente até a chuva molhar meus olhos e emoções. Subi a ladeira a deixar pendurada a língua, e dobrei algumas vezes a linha do horizonte. Foi assim que me perdi no labirinto das horas, dos meses e dos muitos anos.

Por isso, alcanço o momento atrasada e esbaforida, com o rosto sulcado e amarrotado, o corpo algo modificado e fora do próprio eixo. Mesmo assim, chego com o coração tamborilando de contente por te encontrar. Aqui, exatamente aonde, aqui, eu cheguei.

Ah, como te procurei para te contar do presente que a vida nos quer dar. Olha só, ela enviou uma carta doce de chocolate e iluminada de mel dourado, nos oferecendo momentos mais que deliciosos em roscas românticas de braços e pernas, e de muitas emoções no surfar de mãos pelas ondas dos nossos corpos, úmidos.

Sim, é verdade, ela disse que a gente sabe sonhar, e que nossos sonhos sabem pedir, e que nossos pedidos... Por que não? Foram tão sinceros. Naturalmente que sim, poderão ser atendidos. Depende da coragem que nos faz seguir e virar mais uma e todas as esquinas do tempo. E acreditar.

Ah, como te procurei. Agora em ti nem sei de mim. O calor sobe e desce e faz suar. O coração dispara pela boca convocando a tua boca; e o meu corpo treme de prazer ao roçar com o teu. E o desejo descontrolado de provar o teu gosto grisalho, de mergulhar no teu sabor de história vivida, de nos lambuzar nas doçuras que a vida nos prometeu, ah, mal posso esperar. Como estou feliz por me deixar desvendar pelos teus sentidos - e te descobrir pelos meus - nesta esquina do tempo, meio fora de tempo, mas que ainda se faz em tempo, para a gente se amar.

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