Na
infância eu adorava brincar de estátua com meus irmãos e amiguinhos. A diversão
decorria do esforço em conseguir ser a estátua sobrevivente. Caminhávamos e
dançávamos enquanto aguardávamos o líder ordenar: “estátua”. Aí tínhamos que
nos manter na exata posição em que nos encontrávamos, e pelo tempo que o líder
determinasse. Enquanto aguardávamos o novo comando para nos liberar do
congelamento, o líder provocava situações de riso com piadas e caretas. Quem se
mexia era eliminado e ia saindo do jogo até sobrar o último, o vencedor que, assim,
assumiria o posto de comando na sequência da brincadeira.
No jogo
era bom ser estátua, pois ficar inerte poderia nos levar à vitória. Além disso,
a brincadeira permitia que a gente estimulasse habilidades físicas como o
equilíbrio, e mentais como a atenção. E o tempo passava divertido, sem nem ser
notado.
Porém
hoje, lamentavelmente, sem estar inserida neste jogo gostoso, pareço ser a
estátua remanescente. Estou parada e inerte, sem qualquer perspectiva de vitória
nem de desenvolvimento de habilidades. E, pior que tudo, desesperada vendo o
tempo passar arrastado e pesado, mesmo que vazio. Sinto-me petrificada, aguardando
que meu líder interno me absolva desta paralisia e me autorize à soltura de
movimentos na busca de alegrias e realizações.
Entre
uma e outra voz de comando desta liderança, déspota, as obrigações são as únicas
possíveis de serem executadas; exclusivamente elas, e pela pura necessidade de sobrevivência.
O jogo acabou. A graça e o sonho acabaram...
Não, não, o sonho não acabou. Eu acredito
na vida eterna dos desejos e fantasias. Meus sonhos simplesmente estão presos
em estátua, aguardando que o tal tirano residente em mim, em algum momento e
por qualquer motivo, ainda se sensibilize e liberte o lúdico, a leveza, o
devaneio, e a minha escrita. Que estimule o dançar, o correr, e o voar da imaginação e das ações.
Consinto na estátua da brincadeira, não a do aprisionamento. Quero a estátua livre para me divertir nos jogos da vida adulta. Sim, eu sei, preciso de coragem para transgredir as ordens opacas e mal humoradas que me põem na inação. Sim, eu quero - e sei que vou - descongelar da rigidez para me derreter em emoções. Sim, urge que eu faça alguma coisa. E terá de ser agora.
(Fazia um mês que eu não escrevia!)
Consinto na estátua da brincadeira, não a do aprisionamento. Quero a estátua livre para me divertir nos jogos da vida adulta. Sim, eu sei, preciso de coragem para transgredir as ordens opacas e mal humoradas que me põem na inação. Sim, eu quero - e sei que vou - descongelar da rigidez para me derreter em emoções. Sim, urge que eu faça alguma coisa. E terá de ser agora.
(Fazia um mês que eu não escrevia!)
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