Gentileza e solidariedade. Cooperação e reciprocidade. Compreensão e
gratidão. Generosidade!
Bonitas palavras impregnadas de sentido. Exuberantes vocábulos mesmo quando
desacompanhados de pares significantes. Vigorosas experiências de pura
expressão da nossa humanidade.
Porém, nem sempre esses termos se fazem presente nas vivências do cotidiano
viabilizando a proximidade acalentadora com os nossos iguais. Às vezes, penso
que estamos ficando pobres de sentimentos despojados que alcancem a pessoa do
outro, verdadeira e acolhedoramente. Sei que estes sentimentos não estão em
extinção, mas creio estarem sendo racionados diante do frenético estilo de vida
que levamos.
O dia a dia insistentemente se apresenta com urgências e infindáveis
exigências a nos consumir, levando-nos a esquecer, sempre uma vez mais, da
importância do próximo à nossa vida.
A impressão é de que, lentamente, vamos perdendo a noção e o contato com os
nobres conceitos, e desperdiçando, por alienação, tão gratas virtudes nossas. Sinto
que estamos nos apartando dos nossos melhores gestos, assim como, nos privando
da prazerosa repercussão das pequenas doces ações.
Sem nos darmos conta, deixamos que os sentimentos bondosos retornem fácil
ao sono profundo da inércia, nos expondo a ficar à deriva e devorados pelos sentimentos fúteis, mesquinhos e egoístas.
Assim, o alheio parece nos esvaziar quando a nossa atenção dele se ocupa; talvez
porque ao desviar os olhos dos próprios umbigos, esses pequenos bueiros parecem
perder a razão de existir.
No entanto, no exercício prático da vida, percebo, nitidamente, que sacudidelas
têm sido eficientes para acordar as boas intenções, guardadas e desativadas
dentro de nós; que sutis intervenções desalojam as gentilezas e a cooperação da
escuridão de sua moradia; e também, que alguns movimentos do mundo até conseguem estimular
grossos e revitalizantes respingos de solidariedade do âmago dos indivíduos.
Ao redescobrimos o espaço para a livre e solta convivência com nossos
macios sentimentos, repletos de humanidade, nos regozijamos de ainda possuí-los,
e, assegurados deste poder, de resgatá-los em sentimentos e comportamento.
Seja gentil, ofereça ajuda. Seja generoso, ofereça cuidado. Pequenas atitudes
podem nos presentear com grandes satisfações. Cuidemos para não priorizar o
secundário e descartar nossos preciosos valores. A desatenção semeia amarguras onde
deveria florir sorrisos.
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