sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Em retalhos



Às vezes, a vida parece uma gincana com mil e duas tarefas desafiadoras a serem executadas, em tempo exíguo e com o máximo de eficiência. No turbilhão somos exigidos a nos desdobrar, em vários de nós mesmos, para satisfazer as exigências, pessoais e do meio, e driblar os obstáculos. Diante do esmorecimento da energia, somente não sucumbimos porque temos uma força especial conquistada na aliança com pessoas, que, se organizando e reorganizando em grupos, podem e se fazem esteio. Gente pertencente à nossa equipe, que prioriza a cooperação, a divisão dos fazeres, a solidariedade, o revezamento, o engajamento, a parceria, a amizade, o apoio, e tantos outros predicados da interação social.

acervo pessoal
                                                                            


Em inúmeros momentos difíceis de aflição ou angústia, e diante da desesperança, não tive dúvida, pedi ajuda e gritei por socorro. O coração e os olhos buscaram amparo na direção de pessoas idealizadas e admiradas por mim, acreditando que delas receberia algum auxílio. E recebi. Porém, nem sempre. Incontáveis foram às ocasiões em que me surpreendi ficando parada no vácuo, ou pendurada no pincel pelas mãos destes seres a quem creditei o poder da ajuda. Da mesma forma, o contrário também se sucedeu. Perdidas foram às vezes que fui retirada do caos inesperadamente, por atenção e cuidado inesperados, a partir da presença inesperada de alguém que se colocou, inesperadamente, indispensável na minha vida.

    acervo pessoal


Hoje é um dia qualquer - fazendo sol ou desaguando a chuva torrencialmente; se apresentando atribulado ou pairando tranquilo sobre as horas; encontrando-me acompanhada ou me querendo só, talvez abandonada. Hoje é apenas mais um dia na cadeia dos dias, e, simplesmente por isso, merece ser brindado. O hoje se agrega ao amontoado de dias vividos, e se entranha aos punhados de anos acumulados de história, recheando a memória e sofisticando a nossa existência. Hoje é vida! E viver, entre tantas possibilidades, é saber guardar ternamente o tempo vivido com todos os seus coloridos e sombras. É adquirir experiência e descobrir, inclusive, o que não queremos mais, assim como, o que não mais iremos repetir. Viver é buscar referência a partir do outro; é também ser modelo de persistência e de fibra, diante do enfrentamento dos milhares problemas-desafios do percurso, aos outros que nos tem como referência. É instigar os próprios recursos na busca da superação; é resistir ao impulso de finalizar o que ainda não quer ser fim; é reagir e se fazer vivo enquanto a vida provocar. Viver é estar entre amores e amigos curtindo datas significativas como o hoje, cheinho de horas a nos requisitar.
 
    Clicada por Rosa Helena

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