Estive ausente dos meus
textos. Estive ausente das piscinas. Estou ausente de grupos de amigos. Mas não
se preocupem, apesar das minhas ausências aqui e ali, nunca estive tão presente
à minha própria vida. Ando ajeitando umas que outras coisas do passado
subjetivo e do presente concreto, inventando renovações no ambiente e nos
planos futuros, mudando os prismas de minhas análises e revigorando o meu ser
em mim mesma.
Quando ousaria pensar,
anos atrás, que a beira dos sessenta anos estaria tão lépida para as mudanças,
tão preenchida de compromissos e fazeres, tão satisfeita com o agito do ir e
vir, e com a falta de tempo para todos os meus desejos? Não tenho saída, terei
de virar os cem para alcançar o mínimo de tudo quanto almejo. Tenho investido
nisso, realmente feito negociações com a vida nesta direção.
Estive ausente dos meus
textos. Senti saudades de escrever e de penetrar nas ideias adormecidas no íntimo
dos pensamentos; de buscar no sentido das palavras, com seus sinônimos, as
opções que melhor traduzam meus sentimentos e opiniões. Estive ausente da minha
escrita. A cabeça andava ocupada com outros fazeres e o corpo não dava conta de
parar diante do computador e digitar minhas inspirações – nem sei se as tive. Porém,
não resisto ao fascínio da escrita; neste momento estou me ausentando de outras
prioridades, estou fugida de outros compromissos que urgem e me chamam - e me
consomem - para acalentar o coração da insuportável falta que sinto de escrever,
este meu maravilhoso brincar. E aqui estou eu, posta a escrever.
Amo de paixão escrever.
Por vezes me pergunto se tenho talento para a escrita, mas logo esqueço as
preocupações com a competência e me atiro ao prazer desta prática. Um dia eu
fui tímida, e a palavra oral saía com custo, assim como facilmente a palavra
escrita era censurada pelo temor do erro e, talvez, da crítica. Por muitos anos
me vali do sorriso para a inserção aos grupos, e do recurso das tintas para me
comunicar com o mundo.
A maturidade me permitiu guardar a timidez numa caixinha de veludo, no fundo da minha história, e usar a amplitude das minhas possibilidades de inteiração com mais propriedade. Desta forma, descobri a palavra solta partindo musicalmente da minha boca; descobri a palavra viajante, impressa letra a letra pela dança das minhas mãos e dedos - em movimentos circulares quando desenhada cursivamente, ou saltitantes quando digitadas nas teclas do computador. Um dia eu fui tímida, agora eventualmente tenho um jeitinho tímido, mas estou bem à vontade para ser e dizer e brincar e evoluir. E o ato de escrever me alimenta à plenitude.
A maturidade me permitiu guardar a timidez numa caixinha de veludo, no fundo da minha história, e usar a amplitude das minhas possibilidades de inteiração com mais propriedade. Desta forma, descobri a palavra solta partindo musicalmente da minha boca; descobri a palavra viajante, impressa letra a letra pela dança das minhas mãos e dedos - em movimentos circulares quando desenhada cursivamente, ou saltitantes quando digitadas nas teclas do computador. Um dia eu fui tímida, agora eventualmente tenho um jeitinho tímido, mas estou bem à vontade para ser e dizer e brincar e evoluir. E o ato de escrever me alimenta à plenitude.
Como são bons os
instantes jogados na tela em branco (do computador) através da liberação de
letras e ideias e história. Senti saudades de escrever, mas tive de me
ausentar. Talvez mais um pouco de ausência ainda seja necessário. Mas logo,
logo estarei acomodando as urgências e retomando à minha doce rotina dos textos
e dos grupos de amigos. Às piscinas eu já retornei, estou treinando como nunca:
que venham os desafios das competições e da saúde. E da vida também.
“Ausências transitórias. Mais uma
vez estou vivendo mudanças que renovam a vida. Estou feliz com a vida nova!"
Não estavas só e nem ausente! Estavas com a mais bela das companhias.As profundezas do eu!
ResponderExcluir