sábado, 15 de junho de 2013

Ausência



Estive ausente dos meus textos. Estive ausente das piscinas. Estou ausente de grupos de amigos. Mas não se preocupem, apesar das minhas ausências aqui e ali, nunca estive tão presente à minha própria vida. Ando ajeitando umas que outras coisas do passado subjetivo e do presente concreto, inventando renovações no ambiente e nos planos futuros, mudando os prismas de minhas análises e revigorando o meu ser em mim mesma.

Quando ousaria pensar, anos atrás, que a beira dos sessenta anos estaria tão lépida para as mudanças, tão preenchida de compromissos e fazeres, tão satisfeita com o agito do ir e vir, e com a falta de tempo para todos os meus desejos? Não tenho saída, terei de virar os cem para alcançar o mínimo de tudo quanto almejo. Tenho investido nisso, realmente feito negociações com a vida nesta direção.

Estive ausente dos meus textos. Senti saudades de escrever e de penetrar nas ideias adormecidas no íntimo dos pensamentos; de buscar no sentido das palavras, com seus sinônimos, as opções que melhor traduzam meus sentimentos e opiniões. Estive ausente da minha escrita. A cabeça andava ocupada com outros fazeres e o corpo não dava conta de parar diante do computador e digitar minhas inspirações – nem sei se as tive. Porém, não resisto ao fascínio da escrita; neste momento estou me ausentando de outras prioridades, estou fugida de outros compromissos que urgem e me chamam - e me consomem - para acalentar o coração da insuportável falta que sinto de escrever, este meu maravilhoso brincar. E aqui estou eu, posta a escrever.

Amo de paixão escrever. Por vezes me pergunto se tenho talento para a escrita, mas logo esqueço as preocupações com a competência e me atiro ao prazer desta prática. Um dia eu fui tímida, e a palavra oral saía com custo, assim como facilmente a palavra escrita era censurada pelo temor do erro e, talvez, da crítica. Por muitos anos me vali do sorriso para a inserção aos grupos, e do recurso das tintas para me comunicar com o mundo.

      A maturidade me permitiu guardar a timidez numa caixinha de veludo, no fundo da minha história, e usar a amplitude das minhas possibilidades de inteiração com mais propriedade. Desta forma, descobri a palavra solta partindo musicalmente da minha boca; descobri a palavra viajante, impressa letra a letra pela dança das minhas mãos e dedos - em movimentos circulares quando desenhada cursivamente, ou saltitantes quando digitadas nas teclas do computador. Um dia eu fui tímida, agora eventualmente tenho um jeitinho tímido, mas estou bem à vontade para ser e dizer e brincar e evoluir. E o ato de escrever me alimenta à plenitude.

Como são bons os instantes jogados na tela em branco (do computador) através da liberação de letras e ideias e história. Senti saudades de escrever, mas tive de me ausentar. Talvez mais um pouco de ausência ainda seja necessário. Mas logo, logo estarei acomodando as urgências e retomando à minha doce rotina dos textos e dos grupos de amigos. Às piscinas eu já retornei, estou treinando como nunca: que venham os desafios das competições e da saúde. E da vida também.

“Ausências transitórias. Mais uma vez estou vivendo mudanças que renovam a vida. Estou feliz com a vida nova!"


Um comentário:

  1. Não estavas só e nem ausente! Estavas com a mais bela das companhias.As profundezas do eu!

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