quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Nós sobrevivemos. Eles sobreviverão.


Em geral, sobrevive-se apesar dos pais que se tem. Nós sobrevivemos.  

A culpa do que somos não é da mãe, tão pouco é do pai. Sim, os dois erraram, não souberam fazer as coisas direito - nossos pais nos atrapalharam e muito. Inclusive, quando não evitaram, ainda alimentaram traumas e sequelas em nossas vidas. 

Quantas vezes eles jogaram suas confusões sobre nós e não nos protegeram dos nossos próprios tumultos. Em quantas circunstâncias eles contribuíram para reduzir um pouco mais a nossa baixa autoestima. E quando a gente só queria chamar a atenção deles e ganhar carinho, e eles nos julgaram nos castigaram e nos abandonaram com suas iras. Ainda tem as chantagens, as competições, as brigas e todo o resto que eles nos envolveram, e acabaram nos confundindo. Ah, como eles erraram conosco. E nós sobrevivemos a despeito dos erros e falhas de nossos pais.

No entanto, sejamos honestos, sabemos que eles queriam, e muito, acertar como pais; que eles só queriam acertar nas decisões tomadas em relação a nós; que eles apostaram e acreditaram-se acertando diante de quase tudo o que nos envolvesse. Talvez até se imaginassem em pequenos escorregões, um ou outro errinho insignificante passado imperceptivelmente, afinal eles sabiam-se humanos. Mas, com certeza, apenas falhas cometidas como exceção que justifica toda a regra, e que, provavelmente, não repercutisse em qualquer tipo de prejuízo para nós.

Pensando bem e a bem da verdade, no final de todas as contas, eles até que foram bem sucedidos como pais, conseguiram ser eficientes em muitos aspectos e momentos. Estamos aí, não estamos? Apesar de todos os pesares, estamos buscando um amor e construindo família, trabalhando e almejando sucesso profissional e econômico, estamos tentando desbravar caminhos e, principalmente, errar bem menos com os nossos filhos do que eles erraram conosco.

Mas cadê o manual?  Onde a gente pode se inscrever no curso “Seja o pai, ou a mãe, perfeito”? Como mensurar o amor que sentimos por nossos filhos, e saber se tal está na medida correta? Quando devemos pensar primeiro em nós mesmos, e quando a prioridade das atenções deve ser o filho? Deixa-nos entender, por que temos que dar este tão famoso limite aos filhos, se nós os queremos felizes e podemos oferecer tudo o que eles nos pedem? Como ser exemplo ao filho se, como adultos, nós precisamos de tanta ajuda e um pouco de colo, pois estamos tão perdidos, tão sobrecarregados, tão pressionados, tão sofridos?

Nossos filhos sobreviverão apesar de nós, de nossos erros e de nossas culpas. Isso não justifica que devemos deixar tudo como está. Pelo contrário, temos que nos dispor a desarraigar e eliminar velhos problemas. Devemos buscar recursos e aprendizados e, sempre que possível e necessário, buscar ajuda na cooperação entre escola e família e profissionais para a saúde social e emocional. Mesmo no movimento para ultrapassar os limites pessoais, é inevitável que ocorram omissões, equívocos e erros em nossos comportamentos e intenções. Mas a culpa, a sinistra culpa, a quem quer que seja dirigida, aos pais do passado ou aos do presente, não oferece melhores perspectivas de acertos futuros. Talvez este não seja o caminho na direção aos mais amplos horizontes.

Assumamos, com coragem, o desafio de nos desenvolver ao limite de nossas capacidades como pais e pessoas, buscando todo auxílio possível na perspectiva desta superação. E, depois, que nossos filhos, ao identificar nossos erros involuntários, corrijam as falhas cometidas pelos pais e evoluam na própria construção e diante da educação que darão aos seus filhos.

Um comentário:

  1. É isto ai Rosa. Somos quem podemos ser! As respostas nos serão dadas no transcurso de nossa história! Bjo no coração!

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