Faz algum tempo que escrevo predominantemente sobre
minhas inspirações viajantes. Hoje, porém, tratarei de tema mais conectado aos
fatos da nossa existência.
Nem todos sabem, mas a população do nosso país, já de longa
data, era mais feminina do que masculina. Não que nascessem mais mulheres do
que homens, é que o gênero masculino registrava maior índice de mortalidade
desde a primeira infância por problemas na saúde. E, a partir da adolescência, ficava mais exposto
à mortalidade decorrente dos acidentes de trânsito e das armas de fogo. No
entanto, a realidade levantada pelo IBGE aponta para mudanças.
O Brasil hoje já é mais masculino, pelo menos até os
trinta anos de idade da população. E tende a ficar mais masculino ainda em
menos de dez anos. A projeção é de que os homens estarão em maior número até a
meia idade, o que quer dizer, lá pelos cinquenta anos. Meninas e
meninos fiquem espertos, muita coisa vai mudar em nossas vidas, e é para breve.
Mesmo assim, o gênero feminino será mais numeroso a partir da velhice. E a esperança
de vida dos brasileiros ultrapassará os noventa daqui a trinta anos. (Iuhuu!!!)
E qual a importância disso tudo? Naturalmente junto a
essas mudanças também virão outras, como mudanças no comportamento e nas
relações afetivas, sem contar todas as outras modificações possíveis
relacionados à economia e à política e à saúde e à sociedade e etc.
Tenho apreensões. Sinto curiosidade quanto ao futuro.
Fico pronta para gracejar com os rapazes. O fato do aumento da população masculina é
recente e ainda não o percebemos efetivamente, pois a vida anda apressada e nós
acelerados atendendo urgências - mal conseguimos acompanhar as notícias em
manchetes. Mas a verdade é que logo, logo sentiremos a repercussão destas alterações
em nosso cotidiano.
Como será que homens e mulheres se comportarão diante
de uma sociedade mais masculina? Esta desigualdade dos gêneros influenciará na dança do
poder subjetivo e objetivo? A favor ou em detrimento de qual dos lados? Como
serão vividos os vínculos afetivos diante da desproporcionalidade de gêneros? E
a sexualidade?
E como a velhice feminina se comportará? Será
comum o acasalamento entre homens jovens com mulheres mais velhas? (Espero que sim, eu gosto disso!)
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