Outro dia li um texto sobre o
envelhecimento feminino que, confesso, fiquei bem incomodada. Com a intenção de
retratar a realidade, o que percebi foi o enaltecimento do preconceito e o fortalecimento
da postura vitimada da mulher.
Verdade é que, lamentavelmente,
o preconceito existe e não é privilégio da mulher ou da velhice. O preconceito
vigora, e com bastante força, em relação à cor da pele, à pobreza, às crenças
religiosas, à doença, ao comportamento sexual, ao peso, e por aí vai. Sim, há discriminação
do diferente em nossa sociedade, existe maltrato diante das fragilidades. Cada
vez mais enfrentamos problemas como o “bulling” nas escolas e o assédio moral
no trabalho. A segregação está em toda a
parte. Precisamos acirrar nossas inconformidades e trabalhar com mais afinco na
busca do respeito e da integração do sujeito, quem quer que seja ele.
Não é fácil ser diferente ou
viver o novo, mas não creio que culpar a sociedade e chorar as pitangas
minimize nossos problemas. Até pelo contrário. É confortável projetar nossas
imperfeições e apenas identificá-las nos outros. A sociedade também somos nós.
Se não estamos gostando, percebemos que a injustiça está prevalecendo, então,
arregacemos as mangas e vamos à luta. Vamos nos despir dos nossos próprios
preconceitos e bradar as novas verdades, vamos transpor os obstáculos e trilhar
novos caminhos. Precisamos mudar para alcançar mudanças na sociedade. Ela não
mudará sozinha, ou porque nos queixamos dela.
Envelhecer aos padrões atuais
é novo, temos dúvidas e medos, além do coração cheio de velhos preconceitos -
por exemplo, quanto à produtividade e à estética. Desde o século passado a
mulher tem lutado e conquistado reconhecimento. Por trôpegos passos a velhice tem
conseguido vencer distâncias e obter maior consideração, principalmente por
parte das ciências, e, por via indireta, da sociedade também. Mesmo assim, ainda
precisamos fazer muito mais - unamos esforços e nos façamos fortes. A luta deve
continuar.
É uma dádiva ser mulher e
envelhecer com saúde física e mental, jamais uma decepção. Nós mulheres, ao envelhecer, temos
que enfrentar estereótipos, renovar concepções, desafiar o estabelecido. E nisso
existe uma bela perspectiva de continuar crescendo e se desenvolvendo. A mulher
velha não é feia, ela possui uma beleza diferente que nem todos conseguem enxergar,
pois é o novo que se apresenta aos olhos dos conservadores. O desejo sexual não morre
na mulher nem no homem porque mudanças se processaram, porém diante das
próprias inseguranças há quem não saiba como se comportar, há quem desaprenda como
brincar. O sobrepeso na mulher velha não é um problema da velhice, é uma questão importante de saúde. A depressão, quando aparece, sinaliza doença ou
sintoma, e deve ser tratada em qualquer idade, independente do gênero.
Assim sendo, afirmo que me sinto muito gratificada
em ser mulher e estar no processo de envelhecimento na nossa sociedade, apesar das dificuldades e desafios que preciso encarar.
Serão nossas atitudes e valentia diante dos enfrentamentos que promoverão a diferença. E que
fique claro, ninguém fará por nós o que nós mesmos não formos capazes de fazer em
defesa de nossa condição, situação e possibilidades.
Olá Rosa Helena! Gostei muito da sua poesia DOCE! Um grande abraço! Osmar (Chapecó)
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