terça-feira, 17 de dezembro de 2013

O envelhecimento feminino


Outro dia li um texto sobre o envelhecimento feminino que, confesso, fiquei bem incomodada. Com a intenção de retratar a realidade, o que percebi foi o enaltecimento do preconceito e o fortalecimento da postura vitimada da mulher.

Verdade é que, lamentavelmente, o preconceito existe e não é privilégio da mulher ou da velhice. O preconceito vigora, e com bastante força, em relação à cor da pele, à pobreza, às crenças religiosas, à doença, ao comportamento sexual, ao peso, e por aí vai. Sim, há discriminação do diferente em nossa sociedade, existe maltrato diante das fragilidades. Cada vez mais enfrentamos problemas como o “bulling” nas escolas e o assédio moral no trabalho.  A segregação está em toda a parte. Precisamos acirrar nossas inconformidades e trabalhar com mais afinco na busca do respeito e da integração do sujeito, quem quer que seja ele.

Não é fácil ser diferente ou viver o novo, mas não creio que culpar a sociedade e chorar as pitangas minimize nossos problemas. Até pelo contrário. É confortável projetar nossas imperfeições e apenas identificá-las nos outros. A sociedade também somos nós. Se não estamos gostando, percebemos que a injustiça está prevalecendo, então, arregacemos as mangas e vamos à luta. Vamos nos despir dos nossos próprios preconceitos e bradar as novas verdades, vamos transpor os obstáculos e trilhar novos caminhos. Precisamos mudar para alcançar mudanças na sociedade. Ela não mudará sozinha, ou porque nos queixamos dela.

Envelhecer aos padrões atuais é novo, temos dúvidas e medos, além do coração cheio de velhos preconceitos - por exemplo, quanto à produtividade e à estética. Desde o século passado a mulher tem lutado e conquistado reconhecimento. Por trôpegos passos a velhice tem conseguido vencer distâncias e obter maior consideração, principalmente por parte das ciências, e, por via indireta, da sociedade também. Mesmo assim, ainda precisamos fazer muito mais - unamos esforços e nos façamos fortes. A luta deve continuar.

É uma dádiva ser mulher e envelhecer com saúde física e mental, jamais uma decepção. Nós mulheres, ao envelhecer, temos que enfrentar estereótipos, renovar concepções, desafiar o estabelecido. E nisso existe uma bela perspectiva de continuar crescendo e se desenvolvendo. A mulher velha não é feia, ela possui uma beleza diferente que nem todos conseguem enxergar, pois é o novo que se apresenta aos olhos dos conservadores. O desejo sexual não morre na mulher nem no homem porque mudanças se processaram, porém diante das próprias inseguranças há quem não saiba como se comportar, há quem desaprenda como brincar. O sobrepeso na mulher velha não é um problema da velhice, é uma questão importante de saúde. A depressão, quando aparece, sinaliza doença ou sintoma, e deve ser tratada em qualquer idade, independente do gênero.

Assim sendo, afirmo que me sinto muito gratificada em ser mulher e estar no processo de envelhecimento na nossa sociedade, apesar das dificuldades e desafios que preciso encarar. Serão nossas atitudes e valentia diante dos enfrentamentos  que promoverão a diferença. E que fique claro, ninguém fará por nós o que nós mesmos não formos capazes de fazer em defesa de nossa condição, situação e possibilidades.

 

Um comentário:

  1. Olá Rosa Helena! Gostei muito da sua poesia DOCE! Um grande abraço! Osmar (Chapecó)

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