O corredor era comprido. Ela
olhou para os lados e para trás, não vinha ninguém. Arrumou a postura,
remexeu ombros e cintura, e caminhou, do início ao final do corredor,
rebolando acintosamente. Pôs a mão no trinco, e já abria a porta, quando alguém
falou do meio do corredor:
- Mãe???
Ela se virou e sorriu um meio sorriso.
"Mas era só o que me faltava, com tanta gente para
chegar, podendo nem chegar, é justo o meu filho quem vem logo atrás?"
- Oi, filho. Que bom que chegamos juntos. Vamos
entrar?
- Por que estavas rebolando deste jeito? Acho que
estava exagerado para uma senhora da sua idade!
- Ora, meu filho, tu estás me chamando de velha?
Presta atenção, todas as mulheres caminham assim. Agora chega de conversa boba e
vamos entrar. Assunto encerrado, certo?
Ela abriu a porta e ambos entraram.
"Como vou aprender a rebolar se nem posso treinar?
Filhos, filhos, ele tinha que chegar justo agora? Não era hora. Caminhando como
soldado é que nunca mais arranjarei namorado. Atrevido, além de me censurar ainda
me chamou de velha... Vou procurar uns óculos com retrovisor. Deixa estar!"
Parou diante do espelho por segundos, mirou os
próprios olhos, e sorriu piscando um olho para a imagem refletida. Em seguida, num
passo duro e troteado, se foi cruzando peças.
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