“Topas
tomar um chope no bar da turma?”
“Ok.
Saio do trabalho um pouco depois das 18h e pelas 19 estarei chegando.”
Foi
de um jeito tranquilo assim que Sandra Madalena aceitou o convite e combinou
com o antigo colega, lá dos tempos escolares, para um ‘happy hour’. A turma
dos cinquentões remanescentes do colégio se encontra mensalmente num boteco, o bar da
turma, para viverem os resquícios de suas adolescências e rirem de si mesmos, quando não seja para oferecer o ombro amigo. Eventualmente
ocorrem chopes no paralelo em função de afinidades, como eventualmente também acontece de acabar
em namoro um que outro encontro a tornar-se assíduo, embora não seja comum. Para
Sandra Madalena este encontro não prometia mais do que um chope e um punhado de
conversa jogada fora, enquanto aguardassem a próxima reunião da turma.
Sentados
ao ar livre em pequena mesa, entre muitas outras, com os canecos transbordando
de chope, o papo começou enrolado.
“Estou
muito deprimido, meu casamento acabou de vez, não tem mais chance.”
No
entanto, a fisionomia do sujeito amigo não dizia de tamanha tristeza.
“Tenho
estado muito só, fico enfurnado em casa a vida toda, trabalho de lá mesmo, pois
posso resolver tudo através da internet.”
Engraçado,
pensou Sandra Madalena, no último mês ele estava bem faceiro no encontro da
turma e, além do mais, quem está muito deprimido tem dificuldade de resolver 'tudo', quer seja no escritório ou em casa, quer seja pessoal ou virtualmente. Hum, acho que o assunto vai desandar.
“As
pessoas precisam de amigos, de companhia, de distração.” Silêncio. Ele sorriu
timidamente, olhou nos olhos dela e perguntou. “Tu sabes por que te convidei
para a gente se encontrar, não sabes?”
“Não.”
“Sabe
sim.” O olhar mudou.
“Não,
não sei. Porque estavas deprimido, eu suponho.”
“Porque
eu quero fazer sexo contigo.”
“Ah!”
“Eu
estou sozinho, tu és uma pessoa sozinha, e sexo é bom para o corpo e ajuda a gente
a ficar com cabeça boa. Eleva o astral.”
“Ah!”
“E
fazer sexo com alguém amigo sempre é mais seguro.”
“Ah!”
“Sabe,
eu já tive fantasias sexuais contigo.”
“Ah...
É mesmo? Que coisa!!!”
O
olhar dele brilhava, dava sinais de mal conseguir esperar pela resposta. Afirmativa,
naturalmente, pensava ela. Sandra Madalena custou a reagir, mas quando tomou a
decisão, foi rápida e ágil. Com a mão esquerda passou a deslizar os dedos por
entre os cabelos escassos do amigo a emaranhá-los. Com a mão direita buscou os
botões da camisa desabotoando-os ali mesmo. Desajeitado ele procurou conter as
mãos arteiras, pois não era no bar que elas deveriam trabalhar. No entanto, as
mãos de Sandra Madalena pareciam malabaristas, escorregaram da contenção e,
afoitas, procuraram a bragueta das calças do amigo. O sorriso dele desapareceu
instantaneamente, o sangue subiu às bochechas e o suor verteu da testa como
cachoeira. Sandra Madalena começou a suspirar baixinho. Revirou os
olhos e os fechou, ainda com os braços jogados sobre ele, tocando-o no peito e
nas coxas, embora ele procurasse, desesperadamente, a
discrição que ela fazia questão de evitar.
Sandra
Madalena abriu os olhos, recolheu mãos e braços e os restringiu ao espaço que
os bons modos determinam.
“Tu
disseste que querias fazer sexo comigo, mas tu não sabes nem brincar!!! Não vai
dar, não quero não.”
Levantou-se calma e sem mais palavras, virou as costas e foi-se embora.
Com o espírito leve, ela dizia a si mesma, “o que será que ele
estava pensando, heim?”
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