sábado, 22 de agosto de 2026

A gente muda na velhice?

 Até então, eu me considerava lúcida, capaz e inteligente. Mas, realmente, algo acontece que não consigo explicar. 

Sempre me soube alguém impaciente e braba, muito braba, naturalmente entre outros defeitos e virtudes. Mas com o tempo passando, com um pouco de maturidade se acumulando na bagagem da vida, reconheci, de fato, que o meu temperamento é irascível e as consequências dele são desagradáveis para a minha convivência com as pessoas. 

Daí, com esforços determinados às mudanças, tenho tido alguns pequenos progressos no aprendizado ao controle da minha fúria. Para orgulho meu. 

Os esforços são imensos e os resultados são modestos, eu reconheço, mas me envaideço pelo caminho escolhido. 

Mordo a língua toda vez que ainda quero brigar por futilidades; respiro fundo quando preciso entrar em discussão, do que quer que seja; falo com o freio lingual puxado quando as palavras estão prontas a se jogarem freneticamente da minha boca. 

Ainda assim, o passado me condena.

Eu tenho convicção de que estou me tornando uma pessoa muito mais calma, muito mais equilibrada, muito melhor. Olho-me no espelho e o sorriso de canto brilha de satisfação. Mas o povo não percebe nem os esforços nem os resultados. Até quando eu não digo nada, as pessoas adivinham o que parou na garganta. Mesmo que eu fale respirando fundo, parece que ouvem a irritação que deve estar impregnada na respiração. Apesar de algo nem me incomodar mais, há quem identifique a irritação que eu teria, e faz a sua leitura pelo meu histórico.

Eu não disse, mas devo ter pensado. Eu não me opus, mas certamente o faria. Eu pedi, mas minhas palavras soaram como imposição. Eu ajudaria, mas o pedido não foi feito porque, nem eu sei o porquê. 

Será que minha percepção de mim e da realidade já está se desfigurando? Será que a idade ao invés de trazer maturidade está me presenteando com a senilidade? Será que é apenas ilusão essa conversa de estar melhor, que a verdade é que “pau que nasce torto não se regenera”?

A gula em idosos

 

Idosos em festa ou rodízio de comida,

Como nós idosos devemos agir ao sermos seduzidos por rodízios maravilhosos da nossa comida preferida, ou diante de especiarias e pratos gourmet em um Buffet livre?

Já é de senso comum que a alimentação desempenha papel fundamental na saúde dos idosos. Uma nutrição equilibrada melhora a qualidade de vida, previne um grande número de doenças, mantém a energia corporal, e contribui para o bem-estar geral.

É superimportante ingerir diariamente proteínas, fibras, gorduras insaturadas e carboidratos, além de lembrar a hidratação, aspecto de suma importância, visto que os idosos perdem a percepção de sede. Também é fundamental que os idosos estejam atentos às quantidades de comida a consumir, assim como a quantidade de cada uma das propriedades alimentares, visando sempre a maximizar os seus benefícios.

Mas, especialmente quando saímos para comer fora, é essencial termos cuidado dobrado com as escolhas alimentares, e com as quantidades ao se servir (o que nem sempre é fácil), isso para garantir uma nutrição adequada e equilibrada. Aí eu pergunto, como se comportar bem ao ritmo acelerado e sedutor de um rodízio de pizza, de massas, ou de churrasco? Ou, como não provar todas as iguarias, ou todas as sobremesas expostas no Buffet... sem falar na vontade de repetir o que mais apreciou???

Frequentemente, o pecado da gula se sobrepõe à razão, e a gente come até passar mal... Vocês acham que eu estou exagerando?

Confesso a vocês que eu tenho bastante dificuldade de resistir às provocações alimentares em festas, restaurantes de rodízio, e Buffet. Eu tento ser madura e comer com sensatez, mas, as minhas determinações, de forma geral, não se sustentam até o final dos eventos. Com frequência eu fico decepcionada comigo mesma. Por isso, de certa forma, eu tenho evitado um pouco essas situações, mas também tenho tentado pensar em estratégias para dar conta desse meu lado infantil e guloso..., pois eu não quero perder, ou prejudicar, o meu auto-cuidado.

Aqui, então, vão algumas dicas pensadas para serem experimentadas e avaliadas, além das dicas que eu já estou implementando nas ocasiões festivas:

Uma dica prática é solicitar um prato menor para se servir, e ir de pouquinho em pouquinho, talvez até, escolhendo um preparo de base mais nutritiva, deixando os petiscos mais para o final. E quando possível, dar um tempinho antes de pegar outra porção.

Outra dica pode ser já entrar no rodízio, por exemplo, com uma estratégia definida, tipo, escolher de antemão os sabores, ou os tipos de pratos ou de carnes que se quer comer. Assim, o que não forem as escolhas predefinidas, já serão refutadas automaticamente.

Acredito que sempre é positivo solicitar ao garçom que ele dê uma pausa, que ele não traga mais nada enquanto a gente não sinalizar. Ajuda muito dar uma respirada, conversar um pouco entre as rodadas, esperar uns minutos para ver o quanto já estamos saciados. E, depois, se ainda houver apetite para continuar, é conveniente se servir com calma, se concentrar nos sabores, e deixar o restante para depois. Ou para a próxima vez, com certeza haverá de ter uma outra vez... Talvez isso contribua a minimizar o desequilíbrio da comilança.

Naturalmente que as exceções não prejudicam muito, porém, se os eventos se sucedem no curto tempo, os cuidados se fazem necessários. Ninguém merece comer até passar mal.

Ainda assim, se no seu cotidiano a alimentação estiver equilibrada; se você estiver sendo acompanhado por um profissional para maximizar os efeitos dos grupos alimentares adequadamente dispostos; se estiver se hidratando bem, mesmo sem sede ou no inverno; se estiver se exercitando com caminhadas ou na academia; é possível que um tropeço não evolua para uma queda!!!

De qualquer forma eu recomendo, cuidar dos tropeços pode impedir as quedas e os consequentes prejuízos. Cuide-se sempre.

O nosso corpo dá sinais, ouça-os. 

Respeite os seus limites, inclusive na hora de comer. Pequenas correções podem trazer avanços significativos. Não desista de você, mesmo diante de um brownie escorrendo chocolate.