Longe do que se pensa a felicidade não está em obtermos tudo o que desejamos ou fazermos só o que é bom e divertido. A felicidade vem com os desafios, os enfrentamentos, a superação, e a disciplina. Disciplina. Parece que estamos falando de algo antiquado, dos tempos da ditadura, mas não é: a disciplina e o limite são elementos fundamentais para a socialização, para a saúde psíquica e, também, para a saúde física.
Analisemos nossas crianças e a confusão que nós, adultos da classe média, nos colocamos diante das dificuldades com a disciplina na dança familiar. As crianças perdem a hora de dormir, escolhem seus próprios cardápios, teimam e nos estressam até que assinamos nossa incompetência como educadores. Assim, delegamos à professora a tarefa de ensinar, educar e colocar limites. De fazer de nossos “anjinhos” pessoas admiráveis e felizes. E nós ficamos correndo à satisfação dos caprichos destes pequenos e exigentes seres. Resultado: crianças trocando o dia pela noite em frente ao computador e vídeo-game, reduzindo o tempo do brincar. Crianças mal alimentadas, cheias de vontade e vazias de saúde, que não comem frutas, verduras, nem carne e feijão. Crianças com pais cansados e frustrados, limitados, carregados de sentimentos de culpa e de raiva diante dos insucessos de suas atribuições. Pais num jogo de empurra-empurra para que alguma boa alma acolha sua criança amada e estressante por uma tarde ou uma hora e liberte-os do grande e sufocante poder do filho.
Em síntese, sem disciplina e sem limites encontraremos crianças insatisfeitas e insaciáveis, dominadoras e poderosas, crianças agressivas e egoístas, sem organização interna e sem regras como referência estruturante. Crianças inseguras e sem o poder de luta ou superação de obstáculos. E, como conseqüência, encontraremos adultos, inseguros e infelizes, submetidos aos pequenos, ao invés de projetados como modelo. Adultos fracos e perdedores, omissos ou negligentes, em constante conflito consigo mesmo e com a família.
A disciplina não é algo determinado e estático, ela vai respondendo a evolução da cultura e da época. Entretanto, é um ato de amor e um grande desafio para os pais nos dias de hoje. Os adultos devem conhecer os direitos e privilégios dos filhos, como ter a mesma clareza de seus próprios deveres e responsabilidades. A disciplina tem como função principal fazer a criança aceitar as restrições necessárias e a obediência a uma autoridade justa. Portanto, se for muito restritiva ou demasiadamente elástica, torna-se indesejável. Para que ela seja adequada é necessário ser efetiva, quer dizer, a disciplina deve ser colocada com firmeza, delicadeza, razoabilidade e ser consistente. Uma educação com regras claras, ordem e limite nos permite sermos melhores pais, construir uma família mais harmoniosa e organizada evitando, entre outros, distúrbios de conduta em nossos filhos. Uma criança que aprenda a enfrentar com tolerância pequenas frustrações, que saiba lidar com a restrição, o enfrentamento e a superação estará reunindo recursos para desfrutar de mais e melhores momentos de felicidade. O segredo da infelicidade está justamente em ter tudo o que se quer.
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