segunda-feira, 1 de agosto de 2011

No trânsito


Estava dirigindo numa quarta-feira, em pleno fervor do trânsito, levando e buscando filhos. Numa pequena rua transversal fiquei parada atrás de um ônibus, que por sua vez estava atrás de outros carros aguardando que a fileira de automóveis andasse, para cruzar ou ingressar na rua principal. No sentido contrário a via estava livre. Rapidamente pensei em arriscar e adiantar-me no fluxo andando na contra mão. Pensei, girei a direção puxando-a para a esquerda e tirei do alinhamento a ponta dianteira do carro. Só depois é que olhei ao espelho retrovisor lateral, do lado em que embiquei. Freei em seguida. Um motoqueiro vinha ultrapassando a fileira de carros parados. Ambos nos assustamos com o meu movimento.
O motoqueiro parou e eu abri o vidro. Ele me xingou e eu me desculpei. Ele continuou perturbado me xingando e eu continuei tentando manter-me calma e me desculpando. Ele não parava de falar. E eu, com uma tranqüilidade incomum, consegui esperar o falatório e abrir uma brecha para dizer:
- Eu não bati em ti e não te machuquei. Tu não caíste e não te machucaste. Não posso nem te levar ao hospital. Eu já me desculpei, disse que errei e que prestarei mais atenção nas próximas oportunidades. Não posso alterar o que passou apenas o que ainda virá. A única coisa que me cabia fazer neste momento eu fiz, que foi te pedir desculpa. Mas tu não estas aceitando. Então, agora, retiro o meu pedido de desculpas. Pronto!
Meio confuso, o rapaz aquietou. E, surpreendendo-me tanto quanto eu devo tê-lo surpreendido, respondeu:
- Mas a senhora não pode retirar as suas desculpas. Não deve. Sou eu quem tem que pedir desculpa para a senhora.  Eu fiquei nervoso. A senhora está certa, não aconteceu nada comigo. Desculpe as palavras que eu disse. Mas numa próxima vez, tenha mais cuidado, preste mais atenção. Hoje foi só o susto, é verdade. Por favor, me desculpe.
De repente o clima de tensão se transfigurou para uma troca de palavras amena e civilizada em plena confusão do trânsito. Não lembro como nos despedimos, mas certamente foi de forma educada, pois saí deste incidente bem satisfeita.  Confesso, rindo sozinha. Como gostaria de ter essa calma e presença de espírito em tantas outras oportunidades. Uma atitude serena pode gerar uma reação mais tranqüila, mesmo quando a questão é de difícil acordo.
Nem sempre sou capaz do aspirado autocontrole, no entanto, as experiências adquiridas com a vida têm me proporcionado um pouco mais de inteligência diante das situações de conflito. E no trânsito, tenho me esforçado a ficar mais atenta - eu preciso!  E ter cuidado, afinal, nunca é demais!




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