terça-feira, 1 de novembro de 2011

Cotidiano - Sob outro prisma


 

Não entendo o que há de errado, mas algo deve estar errado!

O dia começa cedo para mim: acordo às 6 horas, com exceção dos sábados e domingos, quando é comum eu levantar por umas 8 horas. A agenda é cheinha mesmo aos finais de semana. Faço muitas e cada vez mais coisas durante o dia todo, e chego exausta à noite porque não parei de fazer. No entanto, ao deitar a cabeça no travesseiro, com o intuito de ler um pouco e pegar no sono, tenho a impressão que estou em dívida – parece que não produzi o quanto eu precisava, que não realizei o almejado, que não contribui com o que deveria.

Não entendo o que há de errado!

Será que estou exigindo além de mim, ou será que eu deveria estar me ocupando com outros fazeres? Será que deixei tanto por fazer e agora estou tentando recuperar os atrasados, ou será que quero abraçar o mundo com medo de perdê-lo? Será que estou me projetando às minhas idealizações de mim mesma e, por isso, me cobrando? Ou será que essa insatisfação é pura ansiedade? Ou desespero? Sei lá, eu não estou entendendo.

Sinto frustração quando me deparo com o ritmo do meu envelhecimento e a fragilidade das minhas realizações, assim como com o contingente de obrigações que penso ser meu. Fico preocupada (ou será que é angustiada?) ao perceber que o tempo voa tão rápido quanto os meus pensamentos, quase não deixando vestígios. E que as minhas ações não conseguem concorrer com parcerias tão ágeis assim; que a maioria dos meus projetos e sonhos poderá ser apenas registrada em uma conversa ou em alguma folha em branco, mas provavelmente não se cumprirá como realização.

Sinto medo de partir dessa vida e não ter desfrutado da felicidade, não ter amado o potencial de amor que trago em mim, não ter cuidado bem do meu mundo, não ter aprendido a aproveitar a vida como poderia. Sinto medo de partir e não ter deixado nada de mim (além dos filhos?), de não ter feito a diferença com a minha existência (eu não sei bem o que quero dizer com isso, mas é isso mesmo que quero dizer). Sinto medo de concluir não ter valido a pena viver a vida que vivi.

Gostaria ainda, e tanto, de aprender mais sobre história, geografia, inglês, espanhol, decoração, psicologia, artes, costura, fotografia, culinária, educação, literatura, e. Gostaria de realizar mais a partir das minhas aptidões para a escrita, a pintura, a psicologia e o esporte. Gostaria de ser mais efetiva como mãe, como filha, como amiga, como amor. Gostaria de alcançar mais estabilidade emocional, segurança econômica, organização em geral, e coragem para os enfrentamentos. Gostaria de distribuir mais minhas palavras inspiradas, carregadas de poesia e afeto, e os sorrisos de alegria e acolhimento que trago comigo; gostaria de me desprender dos roteiros formais, brincar e compartilhar a construção de momentos leves com quem eu cruzo caminho. Gostaria de fazer da minha vida uma espiral abrindo-se infinitamente às novas conquistas.

Gostaria, ah, e como gostaria, de viver o amor sem limites, sem medo, sem jogo, sem prazo, sem distância. Gostaria de viver o nosso amor como o mais bonito, o mais intenso, o mais maduro, o mais certo, o mais verdadeiro. Gostaria de viver este amor como se fosse o último.

Não entendo o que há de errado, mas se algo está errado, tenho convicção que nem me importaria tanto se estivesse bem mais ocupada ao teu lado, simplesmente te amando mais.

 

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