segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A moda

            

O comportamento é objeto do estudo da Psicologia, e a moda é um de seus numerosos caminhos. Assim sendo, a moda utiliza o corpo e seus movimentos como forma de expressão e comunicação. Comportamento e moda vinculam-se historicamente explicitando sentimentos, motivações,  e evolução. Entre os recursos que a moda oferece está a possibilidade de nos inserir em um grupo ou em um determinado contexto, por identificação ou circunstância.
A moda teve início na Renascença com a urbanização e o enriquecimento dos burgueses franceses. Com o despertar da vontade de imitar a nobreza, e com poder aquisitivo para isso, a burguesia passou a reproduzir seus trajes. Para os nobres se diferenciarem dos burgueses, passaram a criar novas formas e padrões estéticos que, por sua vez, eram novamente copiados, e assim por diante. A partir daí foi dado o impulso à engrenagem de transformação e criação da moda e a um comportamento social estratificado.
            Muitas foram as influências que determinaram os caminhos percorridos pela moda. Ela seguiu de perto a ciência, a industrialização e a cultura. Respondeu ao surgimento de necessidades; dos estilos de vida; adaptou-se às condições e diferenciações climáticas; criou tendências e identidades sociais; exprimiu idéias e sentimentos; identificou grupos e subgrupos, permitiu fantasias erótico-sexuais em padrões aceitos pela sociedade. A moda atual não segue códigos rígidos, dando vazão à liberdade e à criatividade, personificando quem a usa. A inspiração das criações tem sido buscada, em muito, no passado e no street style. E, a releitura de estilos é a novidade. A moda feminina abriga de tudo, embora se sugiram tendências.
Entretanto, com tanta evolução, os estilos nem sempre privilegiam o prazer do conforto. Percebemos isso quando, por exemplo, desenvolvemos um olhar crítico aos calçados femininos. Belos, com finos saltos altos, elegantes bicos a estreitarem-se, pretos ou vermelhos e, por vezes, confeccionados em material brilhoso. Puro fetiche! Sapatos provocadores que desenham e expõe pernas torneadas e sensuais. Que arqueiam a coluna ressaltando o peito e arrebitando ‘uma das preferências nacionais’. E em detrimento do conforto, as mulheres equilibram-se por calçadas esburacadas com os pés comprimidos, a torcerem tornozelos e desenvolverem joanetes. Mas, despertando olhares masculinos de desejo, deliciados com a estimulação de suas fantasias. Naturalmente, poucos homens e mulheres percebem, conscientemente, a comunicação erótica estabelecida. Mas ela existe. E lá vai o objeto de desejo, ignorando seus prejuízos, a desfilar repleta de prazer pela sedução provocante de seu caminhar.
          Estendendo nosso olhar mais atento, encontraremos semelhança a outras peças do vestir que espremem, apertam, sufocam ou expõe ao risco da inanição e das intempéries do tempo  o pobre e sofrido corpo. Mas, por que temos que abrir mão do saudável, do confortável, do prático para nos sentirmos modernos, bonitos, adequados ou atraentes? O prazer desta sensualidade, a satisfação quase sádico-masoquista que se estabelece na comunicação subliminar entre os sexos através de algumas modas, cobra alto preço no futuro. Será que as pessoas têm consciência e sabem o quanto vão pagar à frente?

Nenhum comentário:

Postar um comentário