Casamentos! Alguns simplesmente breves outros surpreendentemente longos. Uns incomensuravelmente dramáticos outros aparentemente singelos e felizes.
Atento meu olhar sobre o casamento a partir da nossa sociedade e história, e vejo como ele se transformou ao longo do tempo: evoluiu criando regras mais flexíveis e ampliando possibilidades. Adaptou-se aos anseios e as urgências dos pares. As motivações sempre foram diversas, embora eu realmente acredite que na atualidade a tendência seja a valorização do vínculo afetivo, da intimidade sexual, e do desejo por constituir família e filhos. E a dissolução? Cada vez mais fácil e procurada. Mesmo assim, tornou-se comum o firmamento de novos casamentos entre os separados.
Apreciamos o acasalamento e nos gratificamos com ele, por isso procuramos um par. No entanto, estamos pouco competentes para manter a paz no relacionamento diante das mudanças inevitáveis das partes e das circunstâncias; diante das frustrações e decepções vividas no seio da união. Qualidade e longevidade no casamento é expectativa que muitos de nós não conseguimos nem conseguiremos alcançar. Por isso, quando vejo a união perdurar com parceria e enlevo, sobreviver às crises inseridas nos alinhados anos de uma vida a dois, fico muito sensibilizada. Emocionada mesmo!
E foi isso que aconteceu. Fiquei comovida com o convite para festejar os sessenta anos de núpcias de uma dupla de velhinhos encantadores e felizes que, indiscutivelmente, continuam a se amar. Com um amor igual e diferente, sobrevivente. E glorioso.
No transcorrer do casamento e na evolução dos acontecimentos, sem margem de dúvida alguma, o querido casal enfrentou momentos difíceis - alguns anunciados por estudiosos como crises previsíveis da vida adulta, porém outros surpreendendo e desestabilizando por não serem nem sequer cogitados.
Em breve retrospectiva consigo ver as dificuldades de relacionamento pela qual eles passaram: discordância na educação dos filhos; necessidade de tempos diferentes para se modernizarem às exigências do mundo e da época; duros enfrentamentos para superarem os percalços econômicos; dores de cabeça para administrarem divergências de interesses e de encaminhamentos – vejam só, ela resolveu estudar depois que o último filho saiu de casa, próximo da aposentadoria dele. Sem mencionar as posições políticas: ele sempre foi um conservador convicto enquanto ela o tempo todo desenvolveu ideias liberais. Mas quando os problemas envolviam a saúde, eles uniam-se e transformavam-se em uma só energia, um só ser: o casal era pura fortaleza. E superando dificuldades pessoais e conjugais, familiares e sociais, a dupla construiu uma vida sólida e brilhante, boda de diamante, apesar de todos os pesares.
A vida compartilhada supre-se com um pouco de tudo. Nela se apresentam imensas alegrias, como também dores e sofrimentos. A harmonia não impede o surgimento dos conflitos. E no horizonte além de lindas e coloridas perspectivas surgem escuras e pesadas nuvens, quando não grandes temporais. Aprender a desfrutar os bons momentos e superar os maus é a grande questão para o sucesso de um casamento. A receita ninguém sabe direito, tem muitas variações, mas com certeza prescinde de generosas doses de encantamento e admiração um pelo outro, e uma infinita capacidade de compreensão.
Não é fácil reafirmar uma escolha feita há sessenta anos, quando se era tão jovem e inexperiente. Parece-me quase uma loteria. E eu fico maravilhada de fazer-me presente nesta solenidade e testemunhar a confirmação da aliança através do amor e da parceria, de comprovar a reinvenção do romance pela cumplicidade e intimidade, e de compartilhar da singela alegria que ilumina a parelha.
Neste momento sinto minha emoção transbordante escorregar pelos olhos e deslizar pelas faces. Foco e superação. Devoção flamejante. Sessenta anos de união: Bodas de Diamante!
Neste momento sinto minha emoção transbordante escorregar pelos olhos e deslizar pelas faces. Foco e superação. Devoção flamejante. Sessenta anos de união: Bodas de Diamante!
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