quinta-feira, 28 de junho de 2012

CINZA



Noite dormida. Completa!

Acordei sonolenta, o dia estava cinza.

Em redor muitos tons de cinza espalhados

Nos lençóis, roupas, quadros e paredes.

Através da janela o sol e o vento estavam cinza.

E eu vi minha cinza imagem no espelho.

Sobressaltada e oprimida pelo invasivo cinza

Voltei à cama, fechei os olhos. Cinza!

Apertei e esfreguei e retornei abrir os olhos:

De novo cinza. Cobri a cabeça, tentei dormir,

E os pensamentos ficaram cinza.

Gritei horrorizada e o grito saiu em cinza.

Tive medo, me encolhi, e chorei.

Abraçada às pernas, cabeça sobre os joelhos,

Chorei, solucei, engasguei, quase desmaiei.

Gastei as lágrimas, perdi o fôlego, me exauri.

Abandonada, ali caída e inerte fiquei.  E fiquei!

Lentamente espiei por uma frestinha do olhar

Enxerguei matizes do cinza escorridos,

Lambuzados sobre a imagem chapada da vida

Da minha vida. E, por de trás dos borrões,

 Havia luz! Muitos fachos de luz. Eu vi!

Foi aí que eu acordei para valer.




Um comentário:

  1. adorei este blog que conheci atraves do zero hora. sempre dou uma passadinha por aqui. muito bom mesmo

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