Saber-me capaz de amar, amando com a liberdade dos pássaros e a soltura dos ventos, é bem mais gratificante do que insistir em um amor confinado e enrijecido, lutando pelas migalhas de um amado que pouco ou nada sabe amar. Ou como alguns aspiram, brigando pela posse de algo que nunca será de propriedade de alguém.
Amar enquanto romance é bem mais sedutor do que, em nome de um grande amor, entregar cegamente sonhos e tesouros ao amado que, na troca, te alimenta de inseguranças e ansiedades mesmo quando queira suprir-te de amor.
Saber-me capaz de amar, sem contabilizar o amor dado ou recebido, prescindido o quanto o outro pode ou se permite amar, satisfaz-me pelo simples e maravilhoso fato de ser eu quem está a amar.
O que eu quero dizer com essas frases jogadas na tela? Não pensei, nem sei se faz sentido o que escrevi. Deixa-me ver.
Talvez...
Que o amor vem e vai, e que ele é livre para fazer e percorrer e derreter.
Que se o meu amor estiver acorrentado à pessoa amada, incondicionalmente, eu sofrerei e morrerei de amor, e sobreviverei cabisbaixa e derrotada, exilada dos amores possíveis presentes e futuros.
Talvez...
Que ao aceitar o amor no seu ir e vir, dirigindo meus arroubos à pessoa amada, focada no presente, conforme o capítulo escrito pelo destino, o mais importante é saber que eu posso amar, e que eu posso morrer de amor, mas que eu não morrerei porque o amor vive em mim, e mais, porque o amor em mim é vida.
Que minha capacidade de amar pode me reanimar, me realimentar do amor que é meu, o amor próprio que mora comigo e está sempre em mim. Porque este amor, simplesmente, sou eu.
E o outro, querido ser amado e desejado ao meu prazer, este, eu sei que não me pertence. Ele é apenas a circunstância que a vida me apresenta. Sei que esse ser amado pode ficar, assim como pode ir. E se esta for a sua vontade, eu o deixarei ir. E não o esquecerei. Mas minha capacidade de amar continuará comigo, e eu continuarei amando. E amarei outros amores.
Talvez...
Que, ao amar, eu apenas estou presenteando o ser amado, livre e solto ser do mundo, com o amor que me inunda a alma, o corpo e os pensamentos.
Talvez...
Que eu posso compartilhar minha vertente produção de afeto, irradiar meu calor e odor de fêmea, e estender minha leveza com o ser amado, se ele quiser e puder emprestar-se a ser amado, se ele quiser e puder interagir através do amor que cada um carrega em si.
Talvez...
Seja isso.
Faz algum sentido?
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