domingo, 14 de outubro de 2012

Livro

                                                                       clicada por Rosa Helena


Gosto de livros. Não, não! Eu adoro livros.

Embora leia infinitamente menos do que a minha fascinação pelos livros reivindica, quase sempre tenho algum em minha companhia. E junto com o livro, carrego como acessório indispensável, um lápis e um dicionário, que, enfim, também é um livro. Igualmente me encanta a intimidade com o dicionário. Acho-o mágico quando desvenda o desconhecido sentido das palavras, ou quando ele reinventa o sentido das minhas ideias através do uso de palavras sinônimas.

Assim, costumeiramente estou em boa companhia. E me orgulho em dizer: eu jamais deito só. Refestelada entre lençóis e com a mente livre, na certeza dos prazeres vindouros, agarro firme o livro entre as mãos e relaxo. As fantasias, dirigidas por mestres da literatura, agitam-se e emocionam-me.  E o sono, de mansinho provocado, vem semeando o enredo dos infalíveis sonhos que ocuparão minhas noites.

Enquanto leio, tenho por hábito marcar no texto as passagens que me tocam pela astúcia, ou pela lógica inteligente ou, ainda, pela sensibilidade poética. Ao lado das palavras, cujo sentido ficou esclarecido com auxilio do dicionário, deixo registrado, pelo menos, um sinônimo. Eventualmente interajo mais com o livro expondo dúvidas e opinião sobre a leitura em andamento, ou questionando ideia ou informação, através de breves comentários redigidos a margem do texto.

Quando leio sobre temas de estudo teóricos, normalmente relacionados à psicologia, ao envelhecimento e à atividade física, minha interação aumenta significativamente. Chego a travar um particular diálogo com o livro e seu autor, e o faço por escrito entre as linhas e à margem das páginas. Faço observações, perguntas, respondo às minhas próprias indagações, esclareço meus pontos de vista, e, eventualmente, até emito sugestões. Estabeleço uma conversação muito próxima, espontânea e verdadeira, me rebelando e me revelando. E, acima de tudo, construindo indiscutivelmente uma cumplicidade única com o livro. E o texto que era um, se transforma em dois. O oficial e o paralelo produzido por mim.

Desta forma, meus livros ficam transfigurados pelos escritos e rabiscos da coautora desautorizada. E eu, um tanto exposta no âmago do meu pensar e sentir.

Pois, se eu emprestar livro meu, não tenham dúvida, estou declarando  amor a essa especial pessoa merecedora de tal deferência.



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