quinta-feira, 14 de abril de 2011

Aventura de quem tem filhos

Enfim! Tudo de novo: casa, filhos, trabalho, contas, natação e o resto mais.
Foram apenas quatro dias em que estive em Capão, e foram apenas quatro dias maravilhosos!
O sol esteve brilhando e sorrindo para mim o tempo todo, acariciando minha pele com pequenas e suaves baforadas mornas, e transformando minha cor a um tom mais dourado. O mar com uma carinha de suco de cana, cheia de espuma branquinha a fazer-se e desfazer-se no movimento das ondas, conseguiu me seduzir a sua acolhida refrescantemente prazerosa (e não gelada), e eu me atirei àquele abraço perdida do tempo. Os cardumes de peixes e as estrelas do mar, com uma presença marcante e visível, indiferentes ao mundo em redor, compuseram com a paisagem de tal maneira atraente que se tornaram irresistíveis aos meus olhos, que só tinham olhos para eles. A agradável constatação de que a presença humana diminuiu em relação aos finais de semana anteriores também fizeram dos dias uma semelhança ao paraíso. E, somado a tudo isso, a alegria de estar com o meu querido anjo, daquele tamanhão de homem e jeitinho de menino, ainda criança (essa fase da adolescência é linda), brincando comigo entre mergulhos e saltos e no deslizar das ondas - me convidando à liberdade - me fez sentir uma felicidade de corpo inteiro e de transcendência d'alma que eu não tinha mais vontade de voltar.
Mas voltei. A realidade me chama, me promete, e me oferece. Porém me exige e cobra.
Encontrei meus outros dois amados filhos adultos esperando por mim, com lindos e queridos sorrisos nos lábios. E a casa uma bagunça: uma escultura em pedra sabão (super bonita) quebrada na entrada da casa, louça suja pela cozinha inteira e panela com comida na mesa desde sei lá quando, roupas usadas espalhadas pelo chão dos quartos e banheiro, polígrafos e papéis distribuídos pelo sofá e chão da sala, e por aí adiante. Quase virei às costas e fui embora. Pensei rapidamente, por que mesmo que eu estou aqui? Respirei fundo e refleti: apesar dessa baderna eles me amam, eu sei disso, eles me amam. Fiquei quase roxa de braba, ensaiei um chilique - comecei o sermão!  Eles tentaram as considerações, mas desistiram, estavam sem a razão. E eu, com pouca paciência às negociações, depois de comer alguma coisa, me recolhi e fiquei a ler no quarto até a hora de dormir.
Hoje o dia começou cedo para mim. Ao levantar encontrei a casa mais composta, não como deveria, mas. Quando voltei do trabalho encontrei três filhos cooperativos, atuantes e solícitos, uma maravilha!! Almoço? Os meus queridos fazendo acontecer (mesmo o filho que chegou do trabalho ao meio dia), apresentando inúmeras iniciativas para o bem comum da família.  
Tudo certo, tudo andando, tudo como deve ser, porém tenho que admitir, às vezes,  isso me cansa! Mas, apesar dos pesares, adoro o desafio que os queridos filhos me impõe. Quem os tem sabe, filho é aventura para a vida inteira.

Nenhum comentário:

Postar um comentário