sexta-feira, 8 de abril de 2011

O que o sexo tem a ver com isso?

Rosa Helena Schuch Santos 

Mutantes.Talvez não seja bem este o termo, mas a ideia parece que cabe: somos mutantes! A cada instante não somos mais os mesmos. O corpo se transforma, o pensamento corre em novas direções, as emoções se alternam e as relações se modificam nos reconstruindo o tempo todo. Ser mutante não implica perder o que temos, embora muitas vezes seja isso o que ocorre. As mudanças acontecem através de ganhos acumulados, perdas sucessivas e muitas negociações entre ambos.
No ciclo da vida percebemos as grandes transformações. De pequenas crianças nos tornamos jovens sedentos por um lugar no mundo e, posteriormente, adultos realizadores de sonhos possíveis. O acúmulo dos anos à vida adulta leva a uma adultez idosa. Isso... quer dizer...”velho”? Não! Ah, essa não! Envelhecer nós não queremos, mesmo que já o estejamos fazendo desde que paramos de crescer. Velhos, definitivamente, não queremos ser!
Impregnado por preconceitos, desvalorizado enquanto conquista e estigmatizado pela cultura como momento de decadência e proximidade do fim, o envelhecimento passa a ser temido e evitado fobicamente. Diante destas mudanças negamos a possibilidade de dar continuidade ao nosso processo de desenvolvimento, e desejamos cristalizar a vida. Esvaziamos, assim, nosso potencial mutante.
Mas, por que é tão difícil aceitar esta etapa de vida? Por que temos que acreditar que tudo se perde quando nos tornamos mais velhos? Por que não conseguimos entender que continuamos nos desenvolvendo? Que a vida ainda corre, e temos tanto a aprender e desfrutar? Por que insistimos em pensar que a única mudança que pode ocorrer é o enferrujamento das conquistas e a aposentadoria da própria existência?
Não somos mais os mesmos? Nunca o fomos desde o nascimento até hoje. Nós mudamos. O mundo mudou. O casamento mudou. As perspectivas mudaram. Os prazeres mudaram. O sexo mudou.
Com o envelhecimento dispomos de um jeito diferente de viver a sexualidade, com um prazer, uma conquista e um sexo diferentes. Em alguns aspectos muito melhor, embora sob outros, talvez nem tanto. Sexualmente não precisamos ser tão produtivos, tão reprodutivos, tão auto-afirmativos como éramos quando jovens. Podemos desfrutar de um sexo mais tranquilo, mais sentido, mais interativo, mais corporal, mais expansivo, mais denso, mais amado, mais cúmplice, mais harmonioso... mais tantas coisas. Quanto ao que a sexualidade tem “a menos” com o envelhecimento, isso a gente nem precisa procurar, pois os estereótipos tratam de evidenciar em qualquer circunstância.
            Enquanto estivermos em ação e nossa sexualidade também - mutantes a cada instante - é sinal de que continuamos vivos e aprendendo a desfrutar do que obtemos com nossas mudanças. Somos mutantes, e o sexo tem tudo a ver com isso!

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