RosaHelena
Assim como ela veio, um dia ela se vai. A menstruação chega e se estabelece ligeirinho para a maioria das mulheres. E se vai, tantas vezes, num processo lento, que pode se estender por muitos anos. O climatério é o anúncio de que transformações estão se processando na direção da menopausa: "el grand finale" de uma vida reprodutiva feminina. No entanto, esclarecendo, bem longe do fim de uma vida feminina!
A partir da menopausa, apesar dos ajustes necessários, sofrimentos gerados pela transição e de algumas perdas, podemos nos alegrar de concluirmos mais uma etapa de vida bem-sucedida. Além disso, temos um punhado de ganhos, pois não obstante temos muito tempo para desfrutarmos da nossa feminilidade, sensualidade e sexualidade.
Com a menopausa, nos livramos da famosa TPM, desconforto que 75% das mulheres passam às vésperas do período menstrual e situação bem conhecida, causadora de estresse ao universo relacional feminino. Mas...sim, existe um mas: adquirimos a SPM. O que é isso? São os sintomas da Pós-Menopausa, que, em algum sentido, se parecem com os sintomas das tensões pré-menstruais. Porém, eles são mais estáveis (não geram a sensação de "montanha russa" no humor feminino) e não aparecem em ciclos. Mas, precisam de atenção, talvez até maior, pois os sofrimentos crônicos advindos de sintomas menos visíveis e assoladores podem provocar danos.
Nosso desvelo com a menopausa deve se focar na saúde, sendo recomendável a proximidade com o ginecologista ou o geriatra e oportuno o próprio olhar clínico sobre nós, além de ser imprescindível desenvolver atitudes positivas e saudáveis para o enfrentamento vitorioso de mais um desafio: o envelhecimento como conquista!
Por fim, a menstruação parou! A menopausa chegou. Estamos acompanhadas pelo médico e a nos enxergar com realismo. A noção do envelhecimento se descortina com clareza e, igual e diferente, estamos diante de um novo começo. E agora, quais serão as escolhas? Estamos envelhecendo. Às desavisadas e desanimadas sempre haverá a opção de arrefecer. Porém, para as positivas e amantes da vida, às mais atentas e informadas, sempre haverá a opção, bem mais divertida, de esquentar a velha e conhecida máquina. Turbinar a capacidade de sonhar, expandir os desejos e evoluir em realizações. Parece eufórico demais? Mas são com esses olhos, otimistas, que me vejo envelhecendo e ainda ambicionando descobrir as aventuras que a vida me reserva.
Quais são as atitudes positivas, tão poderosas, capazes de criar uma adolescência em pleno horizonte da velhice? Que atitudes têm poder de felicidade diante de algo tão ameaçador como o fim, a morte de uma vida gasta? Não há nada de mirabolante e de extraordinário: o que se instiga é a ação! Ação intelectual, ação física, ação afetiva, ação solidária, enfim, ação. Mesmo que sutil como a contemplação e a meditação, exemplos de ação passiva. A inércia é que pode ser um desperdício de vida, pois nela se inserem a estagnação e o nada.
Temos que dar um bom condicionamento à vida, e não há nada melhor para isso do que se mexer com ela. Se não posso mais fazer filhos não perdi minha feminilidade, nem a capacidade para os meus fazeres com o fim da menstruação. E posso ser tão mulher como fui até então. Se não posso mais procriar, ainda assim tenho muito para amar. Filhos, netos e quantos outros, interagindo e me gratificando com eles. Contudo, posso amar um par e fazer sexo com ele, pela pura satisfação de compartilhar intimidades e desfrutar de prazeres. E se não posso mais fazer filhos e nem tenho mais um par, mesmo assim posso curtir e estimular o meu corpo. Proporcionar-me a satisfação de me sentir plena como mulher, inclusive sozinha.
E, falando sobre estímulos sexuais, afirmo e reafirmo que enquanto estivermos expostas a eles, e com certa regularidade, estamos exercitando o aumento do fluxo sanguíneo à região pélvica, mantendo a vagina úmida e elástica, e estendendo o prazer erótico e sexual até onde a vida nos permitir chegar. O que não se usa se perde!
Amar, brincar, também com o nosso corpo. Gozar a vida dançando, caminhando ou nadando; desenvolver alguma habilidade que em outros tempos não nos foi possível. Sempre é tempo de começar e oxigenar o corpo, as ideias, e as nossas infinitas possibilidades. As opções estão a perder de vista e as escolhas são individuais.
A menopausa sinaliza mais uma etapa da vida da mulher que se cumpriu, e marca com certa visibilidade o envelhecimento. No entanto, o envelhecer não pede interrupção ou esvaziamento da nossa existência. Com ele adquirimos experiência e sabedoria para aprender, crescer e tirar proveito das nossas transformações. A menstruação se foi, mas a vida continua, e de preferência com bastante ação. Agir para mim, e neste caso, é ter atitude positiva e saudável!
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