Rosa Helena Schuch Santos
2005
Trabalhar dignifica a pessoa. Promove e mantém a saúde, fortalece a auto-estima, traz bem estar econômico, físico, mental, e social. A ação de trabalhar leva à conquista de qualidade de vida e a promoção da longevidade feliz e produtiva. Porém, por certo, já tomamos conhecimento de trabalhos insalubres; excesso de demanda; metas altíssimas; baixos salários; e desrespeito à pessoa decorrente de comportamentos discriminadores e humilhantes, principalmente, advindos de uma chefia desumana.
Pois, é sobre o sofrimento do indivíduo, no ambiente de trabalho, por ações injustas e cruéis de uma chefia que abusa do poder que lhe é conferida, que vou me deter. Desde que o trabalho existe com as características de produtividade, competitividade e escala de hierarquização, o trabalhador está exposto ao sofrimento por maus-tratos de chefias perversas. O poder é usado como arma contra a civilidade, com a violação dos princípios da moralidade.
Identificado e diagnosticado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), estudos e providências em relação a este tipo de violência, o “assédio moral”, são recentes no mundo inteiro. No Brasil este tema ainda é tratado como novidade, com legislações específicas em apenas 10 municípios e em único estado, o Rio de Janeiro. No Rio Grande do Sul, Porto Alegre é a primeira cidade a tomar medidas contra o crime de “assédio moral”, com a alteração do Estatuto dos Funcionários Públicos do Município, em dezembro de 2004.
Vou explicar essa relação que desemboca na violação da moral, “assédio moral”, e que leva o empregado a desenvolver doenças e limitações. Porém, vale ressaltar que grande número de chefes não se enquadra neste comportamento nocivo com seus subordinados.
Resumindo, “assédio moral” é tudo aquilo que foge às regras sociais ou às práticas definidas em contrato de trabalho. Pressupõe comportamento, explícito ou implícito, de abuso do poder. Geralmente apresenta-se como perseguição ao subordinado, com o objetivo de sujeição do mesmo e, muitas vezes, sua demissão.
As práticas mais comuns consistem em isolar o assediado de seus colegas e superiores; subestimar o trabalho ou o trabalhador; sobrecarregá-lo de tarefas ou mantê-lo ocioso; desvalorizar esforços empreendidos; atribuir tarefas superiores ou inferiores à capacidade e formação do funcionário; expô-lo a situações vexatórias; divulgar rumores e comentários maliciosos ou críticos reiterados; ameaçar com punições; constranger e coagir publicamente.
E o resultado disso não poderia ser outro. É a configuração de um ambiente de trabalho opressor, injusto e degradante. É um trabalhador violentado e frágil evidenciando sentimentos de humilhação, esfacelamento da auto-estima, e seqüelas em sua identidade e dignidade. Entre os transtornos mais comuns provocados pelo “assédio moral”, estão o estresse; a depressão manifesta por crises de choro; a insônia ou sonolência; a alteração no apetite; dores generalizadas; palpitações ou tremores; sentimento de inutilidade; o desejo por vingança; e idéias de suicídio.
Lamentavelmente o assediado custa a dar-se conta do que está ocorrendo, imputando a si a responsabilidade pelas mazelas vividas. E isso gera culpa. Porém, quando se percebe maltratado pelos mandos e desmandos do superior agressor, já é tarde. Já está instalado o quadro de dor. E por temer a perda do emprego, submete-se até o seu limite, que, não raro, é a morte.
A violação da moral no trabalho está na mão de pessoas autoritárias, inseguras, narcisistas e infelizes que, com perversidade, consagram a injustiça. Entre os mais humilhados estão as mulheres, indivíduos com mais de 40 anos, e os que recebem altos salários.
O “assédio moral” é um problema sério e precisa ser esclarecido e enfrentado. Deve ser denunciado! Tornam-se cúmplices do crime as testemunhas do sofrimento que, simplesmente, desenvolvem tolerância à violência ou fecham-se no silêncio aprisionador do medo.
O algoz é um reincidente, está sempre à procura de uma vítima! Portanto, cuidado. A destruição de um assediado promoverá outro colega a ocupar a triste vaga.
Já vi essa história em algum lugar :(
ResponderExcluirbjs
saudades
Tô adorando o blog
E eu estou adorando te ter comigo nesta nova aventura. Sim, conhecemos de pertinho essa história, e o bom é que também conhecemos um bom desfecho para ela.
ResponderExcluirAs tristezas ficaram como aprendizados, as alegrias como conquistas; e a amizade, que não tem distância de tempo ou de espaço que apague, é a nossa grande vitória!
Bjnhs