Como pode ser?
Tantas foram às vezes em que estive integralmente sozinha, em casa ou em qualquer outro lugar, por dias ou muitas horas, a sentir-me completamente feliz, envolvida comigo ou com as minhas coisas. No entanto, algumas outras vezes, mesmo estando rodeada por amigos ou colegas, em ocasiões descontraídas de confraternização, acabei por me sentir abandonada e solta neste vasto mundo dos mortais.
“A solidão costuma invadir-me a alma, justo quando eu não estou só.”
Pois é, embora pareça incongruente, é bastante comum as pessoas sentirem solidão junto a seus pares, amigos, colegas ou conhecidos. Mais do que o desejo por companhia, a impressão de vazio e isolamento que a solidão revela nestas ocasiões, aponta para a necessidade de se ter alguém realmente mais interessante na interação, ou para uma imprescindível novidade capaz de promover a diferença e a transformação ao sujeito em relação.
O sentimento de solidão pode decorrer da existência de hostilidades, ressentimentos ou afetos não correspondidos nas ligações afetivas. Naturalmente outros fatores, como dificuldade na comunicação ou inabilidade em lidar com mudanças, também podem influenciar.
Assim sendo, a solidão é sentida quando nada nem ninguém em torno mobiliza, sensibiliza, ou gera o desejo pela resposta. Porém, vale frisar, ela está sempre representada por uma sensação de mal estar, quando não de sofrimento. Sente-se o isolamento, ele é involuntário e dói: há a falta de algo ou de alguém.
A solidão, em qualquer das suas modalidades, merece olhar cauteloso por quem a experimenta, pois não sendo desejo estar-se ensimesmado, sua reincidência e tempo de permanência, além das tristezas, expõe às doenças do corpo e da emoção.
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