julho 2011
A rua, o bairro, a cidade, o país - todos são outros
Mas o número de nossas casas é o mesmo:
É o numero da ambivalência. A ambivalência nos une
A ambivalência nos separa, e nos mesmos cinco e seis.
Estamos distantes por quilômetros de medos, milhas de inseguranças.
Estamos juntos, grudados a antigos centímetros de dor e azar.
A carne vem aberta, ferida, escondida na coberta de pus.
Flor, anjo, ruptura, aniversário, casa. Coincidências ou infantilismo?
É a sequencia da ambivalência que nos mantém um,
Que faz sermos nós. Destino que nos fixou em cinqüenta e seis.
Nem cinqüenta e quatro nem sessenta e oito. Apenas crianças
Sofridas, esquivas. Fugindo do amor à vida suavizar.
Ambivalência, tua e minha, a ignorar os acasos:
Carregamos rosas na mesma linha da identidade,
Amamos o mesmo leão de Deus em seres distintos.
A ambivalência nossa nega, mas sonha com os abraços
Reedita no imaginário os prazeres do amor-felicidade,
Delirante, em fogosa e rítmica dança dos nossos instintos.
Escolher o avulso aos encantos da parceria? Ou o contrário?
Pegar ou largar? Decidir: somar ou diminuir? Um ou dois?
Cinco e seis formam o número das nossas casas
Se somados resulta em onze; e um mais um, somos dois!
Mas por que, mesmo, as nossas ambivalências tentam por fim
Ao que apenas pode ser começo de uma contagem sem-fim?
Por que os números são os cinco e seis?
Ou das décadas correspondentes? Referências às nossas idades?
Coincidências. Ambivalências. Esse é o número.
Somos uns... cinco ou seis. Fantasmas!
Optei por mim. Só.
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