Qual o cuidado que o cuidador, cuidadoso, deve ter com o auto cuidado, para ser um bom cuidador?
Sim, a frase ficou complicada. Talvez devesse perguntar de forma direta e sucinta, sem rodeios, mas minha intenção com voltinhas foi, mesmo, chamar a atenção!
Em diversas ocasiões nos vimos no papel de cuidadores de seres fragilizados, sem nos prepararmos ou apercebermos disso, sem questionarmos se queríamos ou se teríamos condições para aplicar atenção especial para alguém, com a devida responsabilidade pela sua sobrevivência ou pelo seu bem estar.
Quantas vezes, já desde a infância, tivemos que cuidar de um irmão, de um animalzinho de estimação, ou de um amigo que se machucou? E, na vida adulta, quando foi que demos início às nossas funções de cuidadores? Num dia, ao acordar, já estávamos profundamente envolvidos a cuidar de filhos, de alunos ou pacientes, dos idosos pais, e... Quantos mais?
Quantas vezes, já desde a infância, tivemos que cuidar de um irmão, de um animalzinho de estimação, ou de um amigo que se machucou? E, na vida adulta, quando foi que demos início às nossas funções de cuidadores? Num dia, ao acordar, já estávamos profundamente envolvidos a cuidar de filhos, de alunos ou pacientes, dos idosos pais, e... Quantos mais?
Como dar conta de cuidar do outro em tantas ocasiões, se não temos nem idéia de como devemos cuidar de nós mesmos? Mas, será que necessitamos de cuidados especiais para sabermos cuidar de quem precisa dos nossos cuidados?
Naturalmente, quem bem se cuida possui uma melhor condição de bem cuidar do outro. Isso é complexo. É conquista a ser alcançada em um conjunto de áreas distintas. Penso que entre tantas facetas, cuidar-se significa priorizar-se! Não no sentido egoísta de só pensar em si mesmo, mas de pensar primeiramente em si.
Mais ou menos assim: se eu estiver bem de saúde, se eu estiver bem emocionalmente, se eu estiver feliz comigo mesmo, estarei mais leve para ver o outro e suas necessidades com mais clareza. E, de certa forma, estarei suprido e poderei dispor do que tenho para compartilhar com a pessoa que, a ser cuidada, carece de alguma ou de muita coisa.
No entanto, mesmo estando bem, quem não tem problema? Como sentir-se apto quando as demandas nos afligem por todos os lados? Como ser cuidador, se tantas vezes o que mais queríamos era ser acolhido e acariciado entre os braços de um bem querer e, como criança, ser protegido de tudo e de todos?
Não chegaremos nunca ao nível de excelência da perfeição; e não precisamos atingir o mais alto grau na escala de valores para sermos bons e efetivos no que fazemos. Todos precisamos ser cuidados e, simultaneamente, podemos desempenhar o papel de cuidadores.
Os cuidados recebidos são bastante importantes, mas o auto cuidado é fundamental. E este deve ser desenvolvido sempre e cada vez mais, mesmo que não tenhamos compromissos maiores em cuidar de alguém, afetiva ou profissionalmente.
Os cuidados recebidos são bastante importantes, mas o auto cuidado é fundamental. E este deve ser desenvolvido sempre e cada vez mais, mesmo que não tenhamos compromissos maiores em cuidar de alguém, afetiva ou profissionalmente.
Cuidar-se é um exercício de vida, e pode seguir algum roteiro. Podemos começar por avaliar o sono, a alimentação, o intelectual, o físico, o social, o emocional... Pode ser conferido, inclusive, em checklist pelo menos uma vez por semana: "Estou tendo um sono reparador? Alimento-me com cardápio variado, em horas e freqüência saudáveis? Leio como lazer, estudo ou trabalho exigindo o esforço do pensar? Caminho ou faço alguma atividade física, pelo menos três vezes por semana? Tenho amigos e algum mínimo de vida social? Gosto da vida e tenho motivos para sorrir, apesar da falta de dinheiro ou da crise de casamento? Faço meus exames médicos e odontológicos de rotina?"
Portanto, bem viver é também cuidar do outro, seja ele pessoa, animal ou natureza, a partir das conquistas feitas através do auto cuidado.
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