Na adolescência aprendi noções sobre fotografia, hoje despertadas por frequentar um curso para a qualificação do uso da máquina digital. Assim sendo, ativos e fresquinhos os antigos e novos conhecimentos, foi inevitável tê-los vivos à lembrança. Na calmaria da manhã de um domingo de verão, na abandonada cidade de Porto Alegre, enquanto eu saboreava o café da manhã na minha própria companhia, meus pensamentos voadores tentaram buscar alguma conexão entre a fotografia e as relações afetivas. Brinquei neste jogo de encontrar semelhanças.
A fotografia necessita de luz, sua matéria prima, e luz é energia. Da mesma forma a relação afetiva precisa de afeto, e este também pode ser considerado como energia.
Para realizarmos a grafia da luz utilizamos uma máquina, caixinha, que tenha dentro de si um receptor sensível - que nas máquinas analógicas chama-se de filme e nas digitais de sensor -, e uma abertura, na qual temos as lentes, para capturar e melhor organizar a passagem de luz até o receptor. Pela abertura controlamos a entrada da quantidade de luz que chega à sensibilidade da máquina para o seu adequado registro. E o fazemos administrando o tempo de exposição da luz pela abertura da máquina e o tamanho desta abertura, ambos pensados em conjunto e com cautela na busca da sintonia certa para a obtenção da boa fotografia.
Para dispormos de uma relação afetiva - por preferência determino que seja uma relação amorosa - precisamos ter a pessoa e sua capacidade de sensibilização: a máquina e o sensor. Temos que ter certa disponibilidade ou desejo para a relação, que seria a abertura da máquina. O obturador, que é o tempo de exposição, seria o tempo mantido de aproximação junto à outra pessoa; e o diafragma, que é o tamanho da abertura, talvez fosse o tamanho da acolhida ou da entrega ao parceiro da relação. O tempo de exposição ao outro, ajustado ao tamanho da entrega e acolhida, se administrados com zelo nos permitiria obter uma boa harmonia de relação.
Naturalmente não precisamos refletir muito para saber que as relações amorosas são bem mais complexas do que a minha imaginação brincou até aqui, mesmo assim, simplificando ou forçando a barra, confesso, não achei de todo surreal.
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