sexta-feira, 1 de abril de 2011

Tem nexo este sexo?



 A sexualidade é algo a ser desfrutado. E assim o fazemos ao longo da vida de acordo com a fase de desenvolvimento em que nos encontramos. Na infância, investimos em descobrir as partes do corpo que dão prazer. Na adolescência, experimentamos nossa sexualidade com ênfase nos genitais e nas sensações geradas através do envolvimento emocional e das estimulações com o outro. No período da adultez, tendemos à escolha de um par para com ele desfrutar de uma sexualidade mais íntima e com objetivo de procriação. Na adultez maior descobrimos o prazer de uma sexualidade mais integrada à corporalidade, já sem a primazia da genitalidade vivida na fase anterior e, no entanto, sem perdê-la de vista.
Sexualidade é prazer em qualquer idade, se de acordo com as possibilidades de amadurecimento biológico e emocional. O prazer sexual é um prazer largo e expansivo. Sexualidade é mais do que genital. É corpo, é movimento, é sensação, é envolvimento, é fantasia, é intimidade, é descoberta. É vínculo com a vida!
Na sexualidade há busca pelo sexo. Porém, a sexualidade é muito mais do que o encontro de genitais sem identidades, ansiosos na busca de orgasmo. É mais do que corpos em performances malabaristas para encobrir inseguranças e impotências emocionais. É mais do que uma sensualidade histérica de corpos exibicionistas, impregnados de vazios existenciais e empobrecidos de encantos e de sensações. Sexualidade é mais do que pênis, vaginas e peitos. Sexualidade é sexo, e muito, muito  mais. O sexo inserido na sexualidade brinda à vida, exalta o êxtase, o prazer maior, aquele que a gente quer compartilhar com alguém que valha a pena, alguém inteiro, alguém com nome e identidade. O sexo, casado com a sensualidade e a sexualidade, faz história e enriquece nossas experiências de vida.
Entretanto, na atualidade, o sexo tem sufocado a sexualidade. Tem colocado os órgãos sexuais à frente das pessoas: pequenos e frágeis homens esforçando-se para erguer seus imensos pênis idealizados, e minúsculas mulheres expondo seus enormes buracos vaginais, vazios de si mesmas. O que temos visto é uma busca frenética por prazer e o encontro dramático com o aniquilamento de nossos desejos e sonhos.
O sexo é uma fonte de prazer, mas olha lá, o sexo também tem sido experimentado como fonte de muita tristeza e sofrimento. O sexo exigido, o sexo quantificado, o sexo de um minuto, o sexo de manual, o sexo que se consome, o sexo comprado, o sexo traído, o sexo que desrespeita e desvaloriza o outro não é mais prazer, é manifestação de força e de poder. E aí eu me pergunto, tem nexo este sexo que desvaloriza o prazer e fortalece as relações de poder?

2 comentários:

  1. Este artigo foi escrito em 2003, e publicado na Revista "Carta Capilé" de São Leopoldo em dezembro deste mesmo ano.

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  2. EU QUERO ENTAO DESFRUTAR DE UMA RELAÇAO DE SEXO COM SEXUALIDADE...SEM A CASTRAÇAO DO OUTRO..PODER EVOLUIR..A CADA DIA..E SENTIR AO MESMO TEMPO O FRESCOR DA MINHA TAO PREZADA LIBERDADE...

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