Hoje senti uma dor no peito, forte, de arrancar a respiração; uma dor que não era minha, mas doeu como se minha fosse, por alguma silenciosa identificação.
Hoje cumprimentei a mulher da minha faixa etária, que sempre cumprimento
quando a encontro no vestiário, depois da atividade física. Hoje, pela primeira
vez, ela correspondeu ao cumprimento através de murmúrios, além do usual e tênue
movimento da cabeça. Em voz baixa ela falou, confidenciou com o desespero de
quem está na beira do precipício e ainda tem dúvida se salta ou não, e chorou
lágrimas de saudades do filho amado, que partiu para todo o sempre em um
acidente de trânsito. E olhou nos meus olhos e suplicou algo que eu entendi,
mas que não soube encontrar em mim de supetão. Senti meu coração sufocar no
peito, as palavras encalharem no pensamento, e minhas mãos sobrarem no corpo.
Depois senti uma enorme vontade de abraçar aquela mulher, de dividir minha
força e meus sonhos de longos horizontes com ela. Hoje senti a dor dilacerante da
mãe que perde um filho.
Em pensamento, procuro meus filhos e paro o tempo para mirar cada um deles,
jovens que voam por esta vida a cumprirem com seus desígnios, tantas vezes de
forma irresponsável e onipotente. Com o eterno e incomensurável amor que tenho
por eles, peço baixinho, como em reza, para que se cuidem e não se exponham gratuitamente
aos riscos que a juventude insiste em ignorar. Carrego o coração aflito, mas
sempre esperançoso que um dia eles amadureçam e entendam, e nos perdoem
pelas impertinências. E, quem sabe, até agradeçam pela reiterada insistência
quanto às medidas de segurança.
Filhos amados, meus três adoráveis As, valorizem a vida de vocês com atenção
e desvelo, pois se assim o fizerem, vocês também estarão valorizando e cuidando
da minha vida. E, juntos, ainda teremos tempo para realizar dos simples aos
malucos sonhos, e compartilhar felicidades a perder de vista.
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